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Blecaute paralisa Caracas e maior parte da Venezuela

Andrew Rosati e Patricia Laya

08/03/2019 11h53

(Bloomberg) -- O blecaute que começou na tarde de quinta-feira já é um dos piores em um país acostumado a problemas persistentes na rede elétrica.

O governo venezuelano rapidamente alegou sabotagem ou ataque sofisticado contra sua maior usina hidrelétrica. No entanto, outras fontes aparentemente foram incapazes de dar cobertura, incluindo termelétricas localizadas no centro e oeste do país. Sem eletricidade há tantas horas, os telefones celulares vão ficando sem bateria e a comunicação também foi afetada.

O ministro das Comunicações, Jorge Rodriguez, sugeriu que os EUA estariam envolvidos no incidente e o comentário foi repetido pelo presidente Nicolás Maduro. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e Marco Rubio, senador pela Flórida, zombaram das acusações e afirmaram que a culpa é da ineficiência e da falta de manutenção sob o regime socialista.

"A guerra elétrica anunciada e dirigida pelo imperialismo estadunidense contra nosso povo será derrotada", escreveu Maduro em sua conta no Twitter. "Nada nem ninguém poderá vencer o povo de Bolívar e Chávez. Máxima unidade dos patriotas!"

Pompeo revidou afirmando que "as políticas de Maduro não trazem nada além de trevas. Sem comida. Sem remédios. Agora, sem eletricidade. Em seguida, sem Maduro".

Maduro enfrenta uma oposição em ascensão, que declara direito à presidência com base no argumento de que o último mandato dele é ilegítimo porque a eleição foi fraudulenta. Neste contexto, as acusações de envolvimento dos EUA para forçar a saída dele se intensificaram. Os EUA estão entre os 60 países que apoiam a formação de um governo de transição liderado por Juan Guaidó. Cuba, Rússia, China e Turquia seguem leais a Maduro.

Na quinta-feira, o trânsito parou a capital e o metrô foi fechado, forçando as pessoas a voltarem para casa a pé. Passageiros contam que faltou luz no aeroporto internacional perto de Caracas. Nas redes sociais, usuários relataram blecautes dos Andes à costa caribenha.

Rodriguez, o ministro das Comunicações, declarou à rede de televisão Telesur que o fornecimento de eletricidade foi restaurado em toda a região leste após o ataque "técnico e cibernético" contra o sistema hidrelétrico de Guri. Segundo ele, a luz voltaria em todo o país nas próximas horas, o que ainda não ocorreu.

"Os que tentam de todas as maneiras provocar a mudança de regime naVenezuela continuarão recebendo a resposta poderosa do povo venezuelano", disse Rodriguez.

Antes, a estatal Corpoelec havia alegado sabotagem na geração em Guri. A unidade, localizada no Estado de Bolívar, ao sul, abastece quase dois terços do país.

"Novamente somos vítimas de uma guerra elétrica. Desta vez, fomos atacados no lado de geração e transmissão de eletricidade do Estado de Bolívar, especificamente Guri, a espinha dorsal da eletricidade", afirmou o ministro de Eletricidade, Luis Motta, à televisão estatal. Em declaração feita logo após as 18 horas, Motta prometeu que o fornecimento seria restaurado em cerca de três horas.

Falta de luz e água viraram rotina em toda a Venezuela. A infraestrutura está em frangalhos após anos de má gestão e êxodo de técnicos.

Cidades grandes e pequenas ficam horas sem eletricidade quase todos os dias. Segundo analistas, a crise elétrica é causada pela negligência em meio ao colapso da economia.

A capital ficou no escuro após o pôr do sol na quinta-feira. No leste de Caracas, a população bateu panelas e xingou Maduro.

--Com a colaboração de Alex Vasquez e Jose Orozco.

Repórteres da matéria original: Andrew Rosati em Caracas, arosati3@bloomberg.net;Patricia Laya em Caracas, playa2@bloomberg.net