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Apesar de seus 80.000 apps, Alexa não tem sucesso estrondoso

Matt Day

11/03/2019 11h37

(Bloomberg) -- Kevin Deakin e seus colegas da startup de jogos on-line de conhecimentos gerais tinham acabado de obter um dos alto-falantes inteligentes Echo que a Amazon distribuiu para desenvolvedores em 2016. A menos de um quarteirão da sede da empresa em Seattle, eles já tinham tomado a decisão.

"Olhamos para o aparelho e decidimos que precisávamos estar ali", lembra Deakin. "Não importava se ganharíamos algum dinheiro com isso."

Deakin e seus colegas de trabalho da Musicplode Media, do Reino Unido, criaram uma versão de seu jogo sobre música para Alexa, buscando a oportunidade de pegar carona naquela tendência que, tal como eles previram, seria uma das mais quentes na tecnologia de consumo. Assim como muitos outros desenvolvedores, eles descobriram que trabalhar com o software de voz trouxe desafios próprios e não gerou um retorno imediato.

"Talvez seja a coisa mais brilhante que já fiz, talvez seja a mais idiota", diz Deakin sobre a decisão de apostar em Alexa. "O tempo dirá."

Os alto-falantes inteligentes da marca Echo atraíram milhões de fãs com a capacidade de reproduzir músicas e responder a perguntas feitas do outro lado do ambiente. No entanto, quase quatro anos depois de convidar desenvolvedores externos para criar aplicativos para Alexa, o sistema de voz da Amazon ainda não oferece uma experiência nova e transformadora. Pesquisas mostram que a maioria das pessoas usa o alto-falante inteligente para ouvir música ou fazer pedidos relativamente simples - "Alexa, estabeleça um cronômetro por 30 minutos" -, mas as tarefas mais complicadas as levam a desistir e buscar o smartphone.

Os desenvolvedores tiveram menos dificuldade para criar sucessos com as gerações anteriores de tecnologia. Pense em jogos como Angry Birds ou Pokémon Go no iPhone, ou, décadas atrás, nas planilhas dos primeiros computadores Windows. A Amazon conta com cerca de 80.000 "habilidades" - o nome que a companhia dá aos aplicativos - em seu mercado. Parece impressionante, mas, neste momento de seu desenvolvimento, a App Store da Apple e a Play Store do Google se gabavam de contar com mais de 550.000 aplicativos cada e geraram fortunas para muitos desenvolvedores bem-sucedidos.

"Esta plataforma tem quase quatro anos, mas não gerou nem sequer um aplicativo arrasador", diz Mark Einhorn, que criou um elogiado jogo para Alexa, que permite que os usuários administrem um stand de limonada simulado, e é um dos 10 desenvolvedores entrevistados para esta reportagem.

A Amazon, que preferiu não comentar, criou uma tecnologia inovadora com Alexa. Mas isso gerou problemas para os desenvolvedores, que encontram uma curva de aprendizagem íngreme na criação de aplicativos de voz. Trocar dicas visuais por verbais obriga-os a desaprender antigos hábitos da elaboração de software para smartphones e para a internet. Mesmo depois de criar um aplicativo, não há garantias de que as pessoas vão encontrá-lo. Os usuários de smartphones podem ver rapidamente uma lista dos aplicativos disponíveis na tela, mas muitas opções acabam se perdendo facilmente em um serviço baseado em voz.

"Existe uma espécie de grupo de recursos que as pessoas passaram a esperar da tecnologia ativada por voz: um resumo diário de notícias, previsão do tempo, cronômetro e algum fato aleatório", disse James Moar, analista da Juniper Research que monitora software de voz. Além disso? "As pessoas não estão realmente experimentando muito."