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Fundador da discoteca Studio 54 quer revitalizar Times Square

Nikki Ekstein

11/03/2019 14h29

(Bloomberg) -- Apenas alguns meses atrás, a Vice News publicou uma reportagem com uma manchete provocativa: o lugar mais legal para beber no centro de Manhattan é o novo Taco Bell.

O título foi irônico, mas reflete uma verdade mais ampla: Midtown Manhattan nunca foi um epicentro de lugares badalados. É aí que entra Ian Schrager, o visionário por trás do primeiro lugar da moda do Midtown, a discoteca Studio 54. Amanhã, sua mais recente colaboração com a Marriott International, Times Square Edition, abre com 452 quartos, dois restaurantes de John Fraser, do Dovetail e do Narcissa, e sim, uma boate vanguardista - tudo em um arranha-céu de 42 andares que paira sobre os enormes outdoors da região.

O hotel é o nono da marca Edition, cuja estética minimalista e elegante sempre serviu como pano de fundo monocromático para hóspedes bonitos, bronzeados e bem vestidos. É também o mais recente projeto a ostentar a assinatura de Schrager - o septuagenário que leva o crédito de ter inventado o hotel boutique nos anos 1980 com a Morgans Hotel Group. Entre suas propriedades mais influentes estão o Delano Hotel de Miami, o Mondrian em West Hollywood e o democrático e moderno Public no Lower East Side de Nova York.

Mas mesmo para alguém da magnitude de Schrager, transformar a Times Square em um lugar badalado - e atrair os moradores de Manhattan para a vizinhança que eles mais amam odiar - é uma tarefa difícil.

"Sempre enfrentei esse mesmo ceticismo", disse Schrager à Bloomberg em uma recente primeira visita ao hotel, antes da inauguração oficial. "Desta vez, duvidam que consigamos atrair nova-iorquinos antenados para a Times Square. Mas já fiz isso diversas vezes", acrescenta ele, referindo-se não apenas à discoteca Studio 54, mas ao Royalton Hotel, na rua 44, e ao Hotel Paramount, na rua 46, com seu famoso bar Whisky. "Times Square não é um problema, de jeito nenhum", diz ele em tom desafiador. "Desde que haja um bom produto, os nova-iorquinos vão a qualquer lugar."

Sofisticação

Só por sua aparência, o Times Square Edition não terá problemas para se estabelecer como um oásis maduro em um dos cruzamentos mais frenéticos do mundo. Sua entrada completamente branca - um corredor estreito decorado com uma única obra de arte, um globo verde metálico e brilhante - oferece uma espécie de privação sensorial que compensa o exagero do lado de fora. (O vizinho do hotel é uma loja da Hershey.)

O experimento do Times Square Edition acontece em um momento oportuno. As empresas de tecnologia estão reinvestindo nos amplos espaços de escritórios da região, com locatários como Microsoft, Adobe e Snapchat. Em breve, a Amazon terá um espaço de US$ 55 milhões no Hudson Yards, o enorme complexo comercial e de arranha-céus que fica a 800 metros a oeste e a 800 metros ao sul dos metrôs da rua 42.

Esse padrão já existiu em Manhattan antes, diz Nancy Novogrod, editora-chefe de longa data da revista Travel and Leisure que atualmente dirige a Culturati Travel Design, um braço da agência Valerie Wilson Travel focado em artes e cultura. "Vimos isso acontecer nos arredores de Columbus Circle com o Mandarin Oriental, ao longo da rua 57 com o Park Hyatt e ao redor da High Line com o Standard." Em outras palavras, os hotéis muitas vezes sinalizam uma mudança de rumo em partes precárias ou subestimadas da cidade.