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Shell quer se tornar maior produtora de energia do mundo

Kevin Crowley, Alix Steel e Kelly Gilblom

12/03/2019 16h09

(Bloomberg) -- A Royal Dutch Shell planeja se tornar a maior empresa de energia do mundo dentro de 15 anos, o que sugere que a companhia considera que a mudança climática é uma ameaça maior para seus negócios do que os retornos historicamente fracos de energia.

A segunda maior exploradora de petróleo do mundo em valor de mercado vai gastar até US$ 2 bilhões por ano em sua divisão de novas energias, principalmente para crescer em um setor de energia que, estima, fornecerá retornos anuais de 8 por cento a 12 por cento, segundo Maarten Wetselaar, diretor da unidade integrada de gás e novas energias da Shell.

"Acreditamos que podemos ser a maior empresa de energia do mundo no começo da década de 2030", disse Wetselaar em entrevista à Bloomberg Television na segunda-feira. "Não estamos interessados no setor de energia porque gostamos do que vimos nos últimos 20 anos, mas porque acreditamos que vamos gostar do que veremos nos próximos 20 anos."

Os investidores estão pressionando as empresas para que protejam seus negócios de uma transição para combustíveis com menos emissões de carbono, impulsionada por novas leis e preferências de consumo. Essa pressão é especialmente forte na Europa, onde o Ministério das Finanças da Noruega, na semana passada, instruiu seu fundo soberano de investimento, de US$ 1 trilhão, a vender participações em algumas empresas de petróleo e gás para protegê-lo de um "declínio permanente" dos preços do petróleo bruto.

Etapa experimental

Para a Shell, a divisão de energia ainda se encontra em uma etapa experimental. No mês passado, o vice-presidente de sua unidade de novas energias, Mark Gainsborough, preferiu não estimar quando a divisão vai alcançar retornos mais altos, mas indicou que a unidade apresentará novas combinações de produtos de energia mais rentáveis do que as de uma concessionária tradicional de energia.

"É importante usarem suas moléculas de forma mais inteligente em toda a cadeia de valor", disse Christyan Malek, diretor de pesquisa sobre petróleo e gás do JPMorgan & Co. para a Europa, o Oriente Médio e a África. "Mas o principal desafio será gerar um retorno tão bom quanto o da divisão de petróleo e gás."

Algumas das aquisições da Shell já realizadas no setor de energia são a fornecedora britânica de energia First Utility, a operadora de carregadores de carros NewMotion e uma participação na fabricante americana de painéis solares Silicon Ranch. A empresa também anunciou que fará um lance pela concessionária neerlandesa Eneco, que fornece energia com poucas emissões de carbono a usuários industriais e oferece aplicativos e outras tecnologias para gerir o consumo de energia.

Mesmo com essas aquisições, atingir suas metas em matéria de energia provavelmente exigirá uma "grande reformulação" de suas prioridades de investimento, de acordo com Will Hares, analista de energia da Bloomberg Intelligence. Metade do capital da Shell foi alocado para sua divisão de exploração e extração de petróleo e gás e apenas 5 por cento foi destinado a novas energias.

A empresa continua cautelosa em relação a grandes mudanças no gasto, segundo Wetselaar, que disse que "queremos provar a nós mesmos que a hipótese funciona antes de expandi-la para além dos nossos compromissos atuais".

Repórteres da matéria original: Kevin Crowley em Johannesburg, kcrowley1@bloomberg.net;Alix Steel em N York, asteel6@bloomberg.net;Kelly Gilblom em Londres, kgilblom@bloomberg.net