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Morgan Stanley passa a desconfiar de otimismo com emergentes

Selcuk Gokoluk

14/03/2019 14h47

(Bloomberg) -- Tanta gente despejou tanto dinheiro nos mercados emergentes que o gestor Eric Baurmeister, do braço de investimentos do Morgan Stanley, começa a questionar se ainda há espaço para ganhos.

"O consenso migrou para uma perspectiva mais otimista e as métricas de avaliação recuaram significativamente", afirmou Baurmeister, gestor responsável por dívidas de mercados emergentes na Morgan Stanley Investment Management, em Nova York. "Isso nos tornou menos otimistas."

Os 80 investidores com os quais analistas do Bank of America Merrill Lynch se reuniram recentemente nos EUA e Europa estavam "universalmente otimistas" em relação aos ativos de nações em desenvolvimento e essa visão já está embutida nas cotações. Isso significa excesso de apostas nos mercados emergentes. As bolsas da região caminham para encerrar o trimestre com o melhor desempenho em dois anos e subiram 2 por cento nesta semana. O rendimento médio dos títulos denominados em moeda local emitidos por emergentes está perto do menor patamar desde 2016.

Foram investidos nas ações de países emergentes neste ano US$ 18,5bilhões, de acordo com informação do BofA com base em dados da EPFR Global. No caso dos títulos de dívida, entraram US$ 17,1 bilhões.

O fundo Morgan Stanley para títulos soberanos e corporativos de países emergentes tem US$ 463 bilhões sob gestão e superou 75 por cento de seus pares nos últimos cinco anos, segundo dados compilados pela Bloomberg. A nova visão da casa contrasta com a de grandes bancos e gestoras de patrimônio ? incluindo JPMorgan Chase, Amundi Asset Management e BlackRock ?, que apostam na continuação do movimento de valorização.

Já o UBS Group está diminuindo exposição por entender que os fatores que impulsionaram os mercados emergentes - juros reais menores nos EUA, alta de preços das commodities e recuperação de uma situação de estresse em instrumentos de crédito -- "já chegaram bem longe", de acordo com relatório de estrategistas liderados por Bhanu Baweja.

"Considerando os fluxos para a classe de ativos, há menos gente que investiu pouco", disse Baurmeister. "Se as pessoas já realizaram as compras, há menos demanda incremental por ativos emergentes e, se algo der errado, mais gente sentiria necessidade de vender."