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Escassez de minério foi 'subestimada' após Vale, diz Cliffs

Joe Deaux

15/03/2019 13h04

(Bloomberg) -- A maior produtora de minério de ferro dos EUA tem mais más notícias para os usuários do ingrediente da fabricação do aço que ainda não garantiram oferta a longo prazo: não sobrou nada para vender.

A produção global de minério de ferro recuará 90 milhões de toneladas neste ano devido à queda da produção da Vale -- a maior do mundo -- e de algumas de suas concorrentes, disse o CEO da Cleveland-Cliffs, Lourenço Gonçalves. Apesar de os preços já terem subido, o mercado "subestimou completamente" o impacto do desastre fatal em uma barragem da mineradora com sede no Rio de Janeiro, ocorrido em janeiro, disse.

O consumo vai superar a produção em 12 milhões de toneladas no próximo trimestre depois que a Vale foi obrigada a desativar as barragens de rejeitos do mesmo tipo da que se rompeu em janeiro, informou o Credit Suisse Group em nota, nesta semana. A BHP Group e a Rio Tinto Group afirmaram que não têm capacidade adicional a curto prazo para compensar a perda das operações da Vale.

"Tenho recebido consultas de empresas que são atendidas pela Vale, mas vendemos tudo, ou seja, não há nada que possamos fazer para vender mais", disse Gonçalves, de Cleveland, em entrevista por telefone. "O lado da oferta sofreu um impacto enorme depois da catástrofe da Vale."

Alta dos preços

Desde o dia 24 de janeiro, um dia antes do desastre do Vale, os preços do minério de ferro subiram 14 por cento, fechando em US$ 84,86 na quinta-feira em Cingapura. A commodity pode subir para US$ 100 a tonelada quando a crise de oferta chegar ao mercado, na metade do ano, projetam analistas do Citigroup.

Gonçalves disse acreditar que os prêmios das pelotas e os preços do minério de ferro continuarão subindo.

Os comentários se alinham às opiniões de outras produtoras, como a Labrador Iron Ore Royalty. A empresa com sede em Toronto afirmou em seu relatório anual, neste mês, que os prêmios das pelotas deverão "continuar fortes pelo menos no restante de 2019", em parte devido aos "cortes de produção de pelotas anunciados pela Vale e à capacidade limitada das grandes produtoras existentes de aumentar a produção".

Ainda assim, a queda da oferta do Brasil provavelmente levará as siderúrgicas chinesas a usarem mais sucata, ajudando a reduzir a demanda e a reequilibrar o mercado, disseram Hui Shan e Alison Li, analistas do Goldman Sachs Group, em nota com data de 15 de março. A China pode ampliar a produção em até 22 milhões de toneladas neste ano, afirmaram.