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Esqui fora das pistas e novas tecnologias atraem esquiadores

Dylan Griffiths e Boris Groendahl

15/03/2019 13h50

(Bloomberg) -- "Mantenham-se à esquerda senão vocês vão cair no buraco", diz Dave Norman, guiando seus quatro alunos enquanto esquiam pela neve fresca à altura dos joelhos no resort francês de Méribel.

Norman, um homem de 56 anos de Lancashire, Reino Unido, é guia da Snoworks, equipe de treinamento que faz parte de uma explosão de esqui fora de pista, desencadeada pelos avanços em tecnologia e equipamentos de segurança. Como até os esquiadores com habilidades moderadas já podem ter acesso a terrenos montanhosos remotos, esquiar fora das pistas bem cuidadas tornou-se um dos segmentos de maior crescimento do setor, que globalmente movimenta mais de US$ 70 bilhões por ano.

"Esquiar na neve fresca e profunda é um vício", disse Phil Smith, fundador da Snoworks, que oferece cursos em vários lugares, desde os Alpes até as montanhas Tian Shan, no Quirguistão. "O crescimento começou quando o design do esqui mudou."

A obsessão por sair das pistas, algo que era considerado muito arriscado para a maioria, tem sido alimentada pelo aparecimento de esquis mais curtos e largos -- que permitem que os esquiadores flutuem mais facilmente na neve profunda e granulada. Além disso, cortes laterais maiores, que tornam mais fácil a virada mesmo em encostas mais íngremes, abriram o mercado, disse Smith.

Além disso, os indicadores de avalanches, as pás de neve e as sondas -- que eram usados exclusivamente por especialistas ou guias de esqui -- agora estão se tornando padrão, disse Stephan Hagenbusch, vice-presidente de vendas globais da fabricante de equipamentos de esqui Black Diamond & Pieps. A crescente popularidade do back-country skiing -- onde os esquiadores se aventuram para mais longe das pistas preparadas dos resorts -- é um dos principais motores da divisão de propriedade da Clarus, disse ele.

Tendência

Para alguns, o esqui fora de pista é nada mais do que esquiar nas faixas com neve mais profunda entre as pistas preparadas, mas para outros significa seguir trilhas entre as cabanas na alta montanha por uma semana ou mais. No extremo da escala, por 1 milhão de libras esterlinas (US$ 1,3 milhão), até 12 esquiadores podem contratar um superiate para praticar heliski -- esqui em descida livre por pistas às quais se chega de helicóptero e não de teleférico -- durante uma semana na Groenlândia com James Orr.

Alguns resorts estão usando o esqui fora de pista para atrair visitantes. Verbier, o luxuoso resort suíço a menos de duas horas de Genebra, apresenta-se como a capital do esqui freeride do mundo. A operadora de teleféricos Televerbier disse que promove itinerários fora de pista com controle de avalanches dentro do resort.

"A indústria do turismo percebeu que o mercado de pistas de esqui está saturado e que há mais crescimento em tours e passeios livres", disse Martin Edlinger, guia de esqui e resgatador de montanha em Styria, a região central da Áustria. "Isso também deu uma nova vida a alguns resorts."