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Maior banco da Argentina busca formas de estimular venda de soja

Ignacio Olivera Doll e Gerson Freitas Jr.

21/03/2019 13h03

(Bloomberg) -- O maior banco da Argentina está trabalhando em um plano para convencer os produtores rurais que estão retendo soja de que é hora de vendê-la e trazer dólares ao país com as exportações.

O Banco de la Nación Argentina está desenvolvendo um mecanismo que permitiria que os produtores fossem pagos e mantivessem seus depósitos bancários em dólares em vez de pesos. A medida ajudaria a aumentar a liquidez no sistema financeiro local em um momento de dificuldade do país, no qual o peso registra o pior desempenho do mundo entre as principais moedas, disse o presidente do banco, Javier González Fraga.

O banco central elevou o juro para mais de 60 por cento, um recorde mundial, para tentar respaldar a moeda até a chegada de um total estimado em US$ 22,5 bilhões proveniente da safra recorde de milho e da quinta maior safra de soja da história da Argentina. Mas devido à instabilidade do peso e à guerra comercial que derruba os mercados agrícolas internacionais, os produtores provavelmente guardarão boa parte da oferta apostando em um preço mais alto mais adiante no ano e em um peso mais desvalorizado -- exatamente o que o banco central está tentando evitar.

"É muito importante que todos os milhões de dólares que estão em silo bolsas cheguem aos bancos, porque isso gera capacidade de empréstimo", disse González Fraga à Bloomberg, nos bastidores de um evento em Buenos Aires. A combinação de estabilidade cambial e juro elevado está criando as condições para que os produtores vendam a colheita, acrescentou.

Repórteres da matéria original: Ignacio Olivera Doll em Buenos Aires, ioliveradoll@bloomberg.net;Gerson Freitas Jr. em São Paulo, gfreitasjr@bloomberg.net