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Arquipélago de Galápagos é palco da evolução de iates luxuosos

Fran Golden

25/03/2019 15h43

(Bloomberg) -- Antigamente, se você quisesse ver patolas-de-pés-azuis e gigantescas colônias de leões marinhos tomando sol no arquipélago de Galápagos, você teria que viajar mais ou menos como Charles Darwin viajou, em um navio de pesquisa cujo conforto não era tão relevante quanto a oportunidade de ver a natureza de perto. Isso mudou. Os novos interessados na vida selvagem querem ver as espécies ameaçadas de extinção durante o dia e depois saborear um espumante em uma jacuzzi ao ar livre à noite.

Como resultado, seis novos iates de luxo estrearam no arquipélago de Galápagos só nos últimos meses - e mais vêm por aí. Dois dos navios - M/V Origin e M/V Theory, com capacidade para 20 passageiros - são membros da prestigiosa coleção Relais & Chateaux, com foco na culinária. Em breve chegará o Celebrity Flora, cujas 50 suítes de alta tecnologia têm recursos como janelas retráteis que vão do chão ao teto. Todos podem ser reservados por cabine, em vez de estarem disponíveis exclusivamente para aluguéis privados.

Atingir esse nível de refinamento tem sido um processo de evolução para o arquipélago de Galápagos (muito adequado). Linhas de luxo como a Lindblad Expeditions (parceira da National Geographic) e a Silversea navegam pela região há anos. Os novos produtos, no entanto, são mais íntimos e sofisticados.

"O arquipélago de Galápagos costumava ser um lugar que só estava no radar dos viajantes aventureiros. Agora, ele está entre os destinos desejados por viajantes de luxo, de elite", diz Erin Correia, planejadora de viagens da Adventure Life, uma empresa de cruzeiros com sede em Missoula, Montana, e membro do conselho da Associação Internacional de Operadores Turísticos de Galápagos.

Divisor de águas

Segundo Correia, não são apenas os iates pequenos que de repente passaram a dominar o arquipélago de Galápagos; ela diz que desde 2017 o número de embarcações de luxo em geral dobrou, para 26 navios. E, devido às regulamentações rigorosas do Parque Nacional de Galápagos, que limitam o número de visitantes e as licenças a cerca de 70 barcos por ano, essas opções não estão complementando os modelos de baixo e médio nível, elas estão substituindo-os.

"Os operadores sabem que vão ganhar mais dinheiro construindo navios de luxo", diz Correia. "E, se essas forem as únicas opções para visitar Galápagos, os turistas vão pagar esse preço." Os cruzeiros mais baratos custam em torno de US$ 3.000 por pessoa por semana, mas os iates cobram tarifas de US$ 6.600 a US$ 15.000 por pessoa para realizar itinerários similares.

Esta é uma boa notícia tanto para os visitantes que buscam luxo quanto para os preocupados cuidadores desse arquipélago ecologicamente sensível de 330 ilhas, ilhotas e rochas. Embora todos os navios em Galápagos sejam obrigados por lei a conservar água e energia, a proibir o uso de plásticos e a comprar produtos locais, as novas embarcações são mais estáveis, rápidas e eficientes em termos de combustível. Os regulamentos do parque também exigem que os passeios de navios de cruzeiro sejam acompanhados por guias licenciados, o que contribui para uma experiência mais rigorosamente regulamentada do que as férias em terra na região, que estão ficando cada vez mais populares (apenas cinco ilhas têm assentamentos humanos); essas opções costumam combinar estadias em hotéis com passeios diurnos oferecidos por operadores de lanchas, não por naturalistas credenciados. "Os passageiros de cruzeiros representam um risco menor", opina Correia.