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Razões para odiar ganhos das ações são bom motivo para comprar

Sarah Ponczek

11/04/2019 14h50

(Bloomberg) -- No que diz respeito aos ralis dos mercados, este tem sido impressionante pela velocidade e força, mas não muito mais além disso. Se estiver buscando outros fatores nas ações para ganhar mais confiança, provavelmente não irá encontrá-los.

E não há problema nisso, diz um crescente grupo de investidores otimistas.

De fato, o rali de 23% desde o Natal é o mais rápido já registrado, mas até agora não contou com quase nenhuma ajuda de alguns dos maiores setores da economia - finanças e energia. Termômetros do mercado como as small caps e o setor de transportes não estão participando. Investidores profissionais não se atrevem a tocar nas ações, preocupados com a possibilidade de colapso dos lucros.

Em vez de sinais de fraqueza, as deficiências do mercado começam a parecer pontos fortes para alguns gestores de recursos. São incômodos temporários, dizem esses investidores, e quando curados irão atrair um fluxo constante de compradores.

"Há espaço para as coisas darem certo em relação às expectativas, que são muito baixas", disse Jim Paulsen, estrategista-chefe de investimentos da Leuthold Weeden Capital Management. "Com isso, deixaria de ser um mercado escalando um muro de preocupação para uma subida mais exuberante."

O S&P 500 subiu em 10 dos últimos 11 dias, aproximando-se cada vez mais de um terreno não mapeado. Agora, a apenas 1,5% do recorde de setembro, vozes de cautela estão cada vez mais altas, soando como música para ouvidos contrários.

Consideremos o seguinte argumento pessimista. Desde que o drama do mercado acionário começou em 20 de setembro, apenas um terço das indústrias do S&P 500 atingiu novas altas. Os líderes? Áreas defensivas, como produtos domésticos e pessoais, serviços ao consumidor, imóveis e serviços de utilidade pública. Muitos moldaram esses contornos como evidências de que o espírito animal permanece amordaçado.

Pior: empresas de energia e bancos, dois dos 10 maiores pesos da indústria do S&P, ainda estão cerca de 10% abaixo dos níveis do final de setembro. O índice Russell 2000 de ações small caps e o Dow Jones Transportation Average também estão longe.

Mas quão formidável é um obstáculo quando grupos gigantes como esses ficam para trás? Segundo o passado sugere, não muito. Quando o S&P 500 finalmente atingiu novas máximas no ano passado, após a queda de fevereiro, cinco dos principais setores de referência não participaram, incluindo energia e bancos.

Há razões para pensar que esses setores podem correr atrás do prejuízo, aumentando os ganhos em 2019. Com as cotações do petróleo subindo mais de 40% este ano, o JPMorgan Chase diz que as ações energia estão prestes a iniciar um forte período de valorização. E com a expectativa de lucros mais altos para os bancos do que os do mercado mais amplo quando o JPMorgan e o Wells Fargo derem largada à temporada de balanços na sexta-feira, o setor também pode ser beneficiado.

Analistas rebaixaram suas previsões de lucro para o trimestre no ritmo mais rápido em três anos? Ah, isso também é bom.

Em janeiro, apenas 32% das revisões de lucro por ação eram de alta, um nível que tende a marcar o fundo do poço em termos de cortes de lucro quando uma recessão não está próxima, de acordo com a RBC Capital Markets. No passado, quando essa parcela caiu para esse nível, o S&P 500 subiu no ano seguinte, em 75% do período analisado, com ganhos em média perto de 10%, segundo a RBC.

--Com a colaboração de Vildana Hajric e Elena Popina.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Patricia Xavier, pbernardino1@bloomberg.net

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