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Acidentes com 737 Max da Boeing revelam sensores vulneráveis

Alan Levin e Ryan Beene

12/04/2019 13h29

(Bloomberg) -- Os acidentes com dois Boeing 737 Max em cinco meses chamaram a atenção para um dispositivo pouco conhecido que funcionava mal, iniciando uma reação em cadeia que levou os aviões a mergulhos mortais.

Há décadas os pilotos têm confiado nos chamados sensores de ângulo de ataque, para avisá-los quando estão perto de uma perigosa parada aerodinâmica. Mas as autoridades estão investigando a decisão da Boeing de permitir que os sensores do modelo Max fossem além da função de alertar os pilotos e automaticamente forçar o nariz do avião para baixo.

Uma revisão de bancos de dados públicos pela Bloomberg News revela os riscos potenciais de confiar nesses dispositivos, que são montados na fuselagem perto do nariz do avião e são vulneráveis a incidentes. Há pelo menos 140 casos desde o início dos anos 90 de sensores em aviões dos EUA sendo danificados por escadas de embarque e outros equipamentos no solo, ou atingindo pássaros durante o voo.

Em pelo menos 25 casos nos EUA, no Canadá e na Europa, os danos provocaram alertas na cabine ou emergências.

Um voo da Republic Airlines foi atingido por um cisne-da-tundra quando se aproximava de Newark, no estado de Nova Jersey, em 5 de dezembro de 2016, de acordo com a FAA. O incidente danificou o sensor de ângulo de ataque e outros equipamentos de um EMB-170, da Embraer, causando leituras de velocidade e altitude não confiáveis no jato regional, que aterrissou com segurança.

Examinar tais incidentes anteriores é ainda mais importante por causa da decisão da Boeing de usar um único sensor como o gatilho para o sistema antiparada no modelo Max, conhecido como MCAS, ou Sistema de Aumento de Características de Manobra.

"Com tantos relatos de pilotos e com as incógnitas com as quais estamos lidando nesses dois acidentes, essa é uma área importante a ser investigada", disse James Hall, ex-presidente do Conselho Nacional de Segurança de Transporte dos EUA.

A FAA estava ciente das falhas prévias no sensor ângulo de ataque e considera tais incidentes quando avalia projetos de aeronaves para certificação, disse a agência em comunicado.

Funcionários da FAA se reúnem nesta sexta-feira com representantes das três companhias aéreas dos EUA que operam o 737 Max e sindicatos de pilotos para discutir os passos necessários para retomar os voos com esse modelo da Boeing, atualmente suspensos.

A empresa não respondeu a perguntas sobre como levou em conta as falhas do sensor em incidentes passados ao projetar o MCAS. Em comunicado, a empresa disse que acreditava que os sensores eram altamente confiáveis e que os pilotos poderiam operar o MCAS em uma emergência, de modo que a Boeing evitasse redundância no mecanismo.

"Ao projetar o controle de voo e outros sistemas de avião, nossa indústria segue um conjunto de premissas e processos estabelecidos e aceitos", disse a empresa. "O projeto e a certificação da lei de controle de voo do MCAS aderiram a esses processos e suposições."

--Com a colaboração de Julie Johnsson e Todd Shields.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Patricia Xavier, pbernardino1@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Alan Levin em Washington, alevin24@bloomberg.net;Ryan Beene em Washington, rbeene@bloomberg.net