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Marfrig retorna à Argentina com aposta em crescimento

Gerson Freitas Jr.

12/04/2019 16h14

(Bloomberg) -- Há apenas três anos, a Marfrig colocava à venda a maior parte das operações de abate e pecuária bovina na Argentina, decisão tomada após anos de uma política estatal que reduziu drasticamente o rebanho na nação vizinha. Agora, a companhia brasileira está de volta e com planos de crescer na nação vizinha.

Após a conclusão da aquisição da Quickfood, em janeiro, a Marfrig estuda suas opções de expansão na Argentina, país com o sexto maior rebanho bovino do mundo. A oferta de animais para abate se recuperou, e a depreciação de mais de 50 por cento do peso no último ano tornou as exportações argentinas mais competitivas.

O jogo virou em 2015, quando o presidente Mauricio Macri revogou um imposto de 15 por cento sobre a exportação de carne bovina e um sistema de licenças de exportação implementados uma década antes para garantir carne a preços acessíveis para os consumidores no mercado doméstico. Essas medidas derrubaram as vendas ao exterior e causaram uma redução no tamanho do rebanho, forçando frigoríficos como a Marfrig e a JBS a fechar unidades na Argentina.

"Aquilo era o manual perfeito de destruição", disse Miguel Gularte, responsável pelas operações da Marfrig na América do Sul, durante uma apresentação em Buenos Aires.

As exportações de carne bovina argentina saltaram mais de 40 por cento nos primeiros dois meses deste ano, depois de avançarem 80 por cento no ano passado. Aproveitando a disparada da demanda na China, os frigoríficos da Argentina devem mandar para fora do país um quarto da produção em 2019, sendo que a parcela exportada em 2014 foi de apenas 5 por cento, segundo Gustavo Kahl, presidente da Quickfood, que tem sede em Buenos Aires.

Pela primeira vez em muitos anos, a Argentina deve cumprir integralmente a chamada Cota Hilton, por meio da qual exporta para a Europa cortes nobres de carne bovina sob uma tarifa especial, acrescentou o executivo.

A Marfrig, segunda maior produtora mundial de carne bovina, também tem operações nos EUA e Uruguai. No frigorífico em Villa Mercedes, na província argentina de San Luis, a empresa está ampliando a capacidade de abate em 40 por cento. Considera ainda novas expansões, inclusive por meio de aquisições de frigoríficos, que formam um setor altamente fragmentado no país.

"Tudo aponta para um processo de crescimento na Argentina", disse Gularte. "É um país exportador por natureza. Quando o governo não interfere, o setor prospera."

A Marfrig não é a única com essa disposição. Outro frigorífico brasileiro, o Minerva, que tem um abatedouro em operação na Argentina, está disposto a usar os recursos de uma planejada venda de ações no Chile para reabrir pelo menos uma das quatro outras unidades que comprou da JBS em 2017. No mês passado, o presidente da Minerva, Fernando Galletti, disse que visualizava uma "tendência muito positiva" para o negócio na Argentina.

Mas a boa fase pode durar pouco. O aperto de crédito e o aumento dos custos com ração animal tem forçado pecuaristas a despachar mais vacas para abate, em uma decisão que pode reduzir o tamanho do rebanho, segundo a Câmara da Indústria e Comércio de Carne e Derivados da República Argentina (CICCRA).

Outro fator preocupante é a incerteza política diante da queda da aprovação ao governo Macri e da eleição presidencial que acontece já em outubro.

Ainda assim, Kahl, da Quickfood, não vê uma liquidação de novilhas e vacas na Argentina, exceto por alguns meses e por razões sazonais.

--Com a colaboração de Jonathan Gilbert.

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