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#MeToo muda cultura de tratamento de mulheres na Anadarko

Catherine Traywick

16/04/2019 12h42

(Bloomberg) -- Logo depois que Robin Olsen deixou seu emprego no escritório da Anadarko Petroleum, em Denver, escreveu uma carta com a ajuda de seu advogado.

"A Anadarko tem uma cultura de tratar as mulheres como brinquedos sexuais, como se estivessem no trabalho apenas para a gratificação sexual dos homens", disse.

A carta de Olsen, enviada em 2017 à Anadarko, descrevia uma cultura tóxica na unidade de Denver, onde 550 dos 4,7 mil funcionários da empresa trabalham, e onde, segundo ela, o assédio sexual não era punido, mas as mulheres que se queixavam, sim.

A Anadarko, que na semana passada fechou um acordo para ser comprada pela Chevron por US$ 33 bilhões, contesta vigorosamente as descrições sobre a petrolífera feitas por Olsen.

Mesmo com o #MeToo - e a reação contra o movimento - percorrendo os corredores do poder, o setor de energia tem conseguido escapar dos escândalos que enredaram dezenas de figuras proeminentes em Hollywood, Vale do Silício, Washington e muitos outros lugares.

Entrevistas com seis ex-funcionários do escritório da Anadarko em Denver mostram uma imagem detalhada de uma empresa onde o ambiente pode ser particularmente difícil para as mulheres. Os ex-funcionários falaram sob condição de anonimato, porque ainda mantêm algum tipo de contato com a Anadarko ou não estão autorizados a falar publicamente sobre o assunto.

As queixas incluem comportamento grosseiro, como um supervisor que brincou dizendo que mulheres que tentam avançar na carreira devem estar preparadas para fazer sexo oral.

A carta de Olsen à empresa alega que dois executivos do alto escalão tinham relações sexuais com subordinadas, um relato corroborado em depoimento, ao qual a Bloomberg teve acesso, do ex-supervisor de Olsen, Christopher Castilian.

As reclamações das mulheres mudaram a cultura da empresa. Depois que o comportamento foi exposto, a Anadarko disse que lançou um programa formal de treinamento de assédio sexual.

Por sua parte, a Chevron diz que "tem uma política de tolerância zero, e qualquer forma de discriminação no trabalho - de gênero, raça ou outro tipo - é inaceitável", segundo e-mail do porta-voz da petrolífera, Kent Robertson.

No setor de petróleo e gás, apenas um em cada cinco funcionários é do sexo feminino. Na Anadarko, menos de 25% da força de trabalho global é formada por mulheres. Profissionais do sexo feminino representam 2% dos cargos de presidente no setor, em comparação com 5% das empresas do S&P 500. Um em cada seis executivos da Anadarko é do sexo feminino.

Jennifer Brice, porta-voz da Anadarko, disse em comunicado à Bloomberg que a empresa tomou medidas para abordar as queixas, como um treinamento sobre assédio sexual e preconceito inconsciente, aumentando a conscientização sobre a linha direta anônima 24 horas da Anadarko e reforçando sua política de não retaliação.

"Nos esforçamos para criar um ambiente de trabalho inclusivo para todos nossos funcionários e atuamos de acordo com as queixas que ouvimos", disse Brice. "Cada caso envolvendo queixas e problemas específicos foi investigado quando recebido."

A empresa reforçou sua política de tolerância zero para retaliação e, no ano passado, treinou mais de 2,9 mil funcionários em um programa chamado "Speaking Up Creates Change" (manifestar-se cria mudança), disse.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Patricia Xavier, pbernardino1@bloomberg.net