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Empresas nos EUA investem em treinamento para menos qualificados

Shelly Hagan e Carlyann Edwards

18/04/2019 15h27

(Bloomberg) -- Seriam necessários milhares de atores para reencenar a Black Friday em uma loja do Walmart, então a realidade virtual se torna útil nos centros de treinamento da empresa. Os funcionários experimentam uma enxurrada de compras em fones de ouvido, parte de um esforço nacional cada vez maior que abrange cerca de 7.000 trabalhadores por semana.

A gigante do varejo não está sozinha. De hotéis a cadeias de fast food, os empregadores das indústrias de serviços estão montando programas de treinamento ou renovando os que já têm. Isso é o que deve acontecer em um mercado de trabalho restrito, uma descrição que se encaixa nos EUA, onde o desemprego está no menor nível em 49 anos. Como há competição em torno de um grupo cada vez menor de trabalhadores, as empresas precisam reduzir os requisitos para admissão, depois gastar mais tempo e dinheiro treinando as pessoas que contratam.

"Se você atua em um mercado com salários relativamente baixos no setor de serviços, por exemplo, Starbucks, Walmart, McDonald's, note que todos eles têm programas de treinamento agora", diz Anthony Carnevale, diretor do Centro de Educação e Força de Trabalho da Universidade de Georgetown. É "uma das coisas motivadas por uma economia saudável".

"Estão muito mais dispostos a gastar dinheiro com tecnologia e software para treinar pessoas do que contratar treinadores", diz Peter Cappelli, diretor do Centro de Recursos Humanos da Escola de Administração da Universidade da Pensilvânia.

Os funcionários do Walmart podem obter graduação em três escolas sem fins lucrativos por US$ 1 ao dia. Kourtney Miller, 29, se matriculou depois de oito anos no varejo, e diz que seus colegas começaram a lhe perguntar como é. Ela disse que uma pergunta comum é: "Dizem que é um dólar por dia, é verdade?"

Esses programas podem servir pelo menos em parte para corrigir um desequilíbrio no treinamento. Segundo Carnevale: a tendência é que "os trabalhadores mais instruídos e mais qualificados" que têm mais treinamento, sejam os que têm melhores salários. Funcionários menos qualificados correm o risco de serem excluídos, e Carnevale diz que as mulheres historicamente se beneficiaram menos do que os homens também.

A iniciativa do Walmart é relativamente nova, mas a JetBlue e a Chipotle afirmam que as pesquisas internas mostram um maior comprometimento com a empresa entre os funcionários-estudantes. Embora o treinamento de funcionários tenha aumentado ultimamente, ainda continua muito menos difundido do que costumava ser, de acordo com Brad Markell, diretor executivo do Industrial Union Council do maior grupo trabalhista dos EUA, o AFL-CIO. "As empresas simplesmente não treinam como costumavam fazer", disse ele.

Cappelli concorda que provavelmente havia muito mais assistência dos empregadores há 30 anos. Ele diz que os programas vinculados a faculdades também não devem ser excessivos: eles são limitados no escopo, oferecendo aulas online ou restringindo os alunos a um único curso.

Ainda assim, os empregadores não "dizem que isso é tudo para desenvolver habilidades americanas", diz ele. "Estão tentando fazer isso para criar a força de trabalho de que precisam agora. E tudo bem".

--Com a colaboração de Craig Torres.

Repórteres da matéria original: Shelly Hagan em N York, shagan9@bloomberg.net;Carlyann Edwards em Washington, cedwards136@bloomberg.net