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EUA alertam para supostas fraudes com uso de testes de DNA

Kristen V. Brown

18/04/2019 14h46

(Bloomberg) -- Órgãos estaduais ao redor dos EUA estão alertando para um novo golpe: farsantes visitam idosos e bairros de baixa renda, oferecendo testes de DNA com o suposto objetivo de coletar informações de pessoas inscritas em programas governamentais.

O golpe do teste de DNA seria uma nova versão da velha tática de convencer incautos a fornecer informações pessoais ou utilizar serviços médicos dos quais não precisam. Golpistas podem então passar para o governo a conta desses testes e procedimentos desnecessários ou usar as informações coletadas ? como dados de identificação nos programas de saúde pública Medicare (para idosos e deficientes) e Medicaid (para os mais pobres) ? para cometer crimes de roubo de identidade e fraudes.

No Estado de Kentucky, o gabinete do procurador-geral Andy Beshear foi notificado por moradores da cidade de Louisville que indivíduos que operavam dentro de um furgão ofereciam pagar a cada beneficiário do Medicaid US$20 para coletar DNA por swab bucal e para obter seus dados de seguro-saúde.

Em Nebraska, o comissário de seguros apurou procedimentos questionáveis de coleta de DNA em diversas áreas e alertou no dia 27 de março que "recebeu diversos relatos de grupos que vão até lares de idosos e centros para a terceira idade oferecendo coletar material da boca dos moradores para obter material genético, supostamente para verificar câncer".

Não está claro quem está por trás dessas atividades em Kentucky e Nebraska ou se se trata de uma gangue ou indivíduos agindo por conta própria.

O suposto golpe apareceu depois do anúncio, no ano passado, de que o Medicare daria cobertura para avaliação genética de câncer por meio de testes aprovados pelo órgão regulador de alimentos e remédios do país (FDA). O esquema também pode aproveitar a popularidade de testes genéticos que as pessoas usam para saber mais sobre seus antepassados ou sobre a própria saúde.

Fraudes são problema significativo em programas de saúde pública dos EUA como Medicare e Medicaid, que atendem a dezenas de milhões de habitantes. Desde 2007, uma força-tarefa encarregada de encontrar fraudes no Medicare moveu mais de 1.600 ações judiciais contra quase 3.500 acusados de apresentar mais de US$ 13 bilhões em despesas fraudulentas, segundo relatório do Departamento de Serviços Humanos e de Saúde dos EUA.

Em Louisville, quem oferecia swabs de DNA se apresentava falsamente como representante da parceira local do Medicaid, a Passport Health Plan, e dava dinheiro em troca, segundo a vereadora Barbara Sexton Smith.

Ela também mostrou à reportagem uma captura de tela do Facebook de um convite para que as pessoas se dirigissem a uma esquina da cidade para verificação gratuita de câncer e mais US$ 20. Um outro post mencionava um serviço parecido, a convite de outra empresa, chamada Genexe Health.

David Palladino, diretor jurídico da Genexe, afirmou por email que estava ciente de tentativas de uso inadequado do nome da empresa. Segundo ele, a companhia não tem qualquer envolvimento nas atividades descritas e sequer opera em Louisville.