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Amazon pode acessar endereço de usuários da Alexa: Fontes

Matt Day, Giles Turner e Natalia Drozdiak

25/04/2019 10h28

(Bloomberg) -- Uma equipe da Amazon.com que analisa comandos dos usuários da assistente virtual da empresa, a Alexa, tem acesso a dados de localização e pode, em alguns casos, encontrar facilmente o endereço residencial de um cliente, segundo relato de cinco funcionários que lidam com o programa.

A equipe, que trabalha em três continentes, transcreve, anota e analisa uma parte das gravações de voz captadas pela Alexa. O programa, revelado pela Bloomberg no início deste mês, foi criado para ajudar a assistente de voz digital da Amazon a entender melhor e responder aos comandos.

Os integrantes da equipe com acesso às coordenadas geográficas dos usuários da Alexa podem facilmente digitá-las em softwares de mapeamento de terceiros e encontrar endereços residenciais, segundo os funcionários, que assinaram acordos de confidencialidade e, por isso, não podem falar sobre o programa publicamente.

Embora não haja indícios de que funcionários da Amazon com acesso aos dados tenham tentado rastrear usuários individuais, duas pessoas que fazem parte da equipe Alexa se mostraram preocupadas, em relato à Bloomberg, com o fato de a Amazon conceder acesso desnecessariamente amplo a dados de clientes, o que facilitaria a identificação do proprietário de um dispositivo.

Dados de localização são mais sensíveis do que muitas outras categorias de informações de usuários, disse Lindsey Barrett, advogada e professora da Communications and Technology Clinic, da Georgetown Law.

"Sempre que alguém estiver pesquisando onde você está, isso significa que pode terminar em alguém que pode encontrá-lo quando você não quer ser encontrado", disse. O amplo acesso a dados de localização associados às gravações de usuários da Alexa "sinalizaria uma grande bandeira vermelha para mim".

Em comunicado divulgado em 10 de abril, no qual admitia a existência do programa de análise da Alexa, a Amazon disse que "os funcionários não têm acesso direto a informações que possam identificar a pessoa ou a conta como parte desse fluxo de trabalho".

Em novo comunicado em resposta a esta reportagem, a Amazon disse que "o acesso a ferramentas internas é altamente controlado e só é concedido a um número limitado de funcionários que precisam dessas ferramentas para treinar e melhorar o serviço processando uma amostra extremamente pequena de interações. Nossas políticas proíbem estritamente o acesso de funcionários ou o uso de dados de clientes por qualquer outro motivo, e temos uma política de tolerância zero para o abuso de nossos sistemas. Auditamos regularmente o acesso dos funcionários a ferramentas internas e limitamos o acesso sempre que possível. "

A equipe de serviços de dados da Alexa, que coordena os registros de gravações de fala humana e outros dados que ajudam a treinar o software de voz, tem milhares de funcionários e terceirizados trabalhando em diversas unidades da Amazon ao redor do mundo, como Estados Unidos, Romênia e Índia.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Fernando Travaglini, ftravaglini@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Matt Day em Seattle, mday63@bloomberg.net;Giles Turner em Londres, gturner35@bloomberg.net;Natalia Drozdiak em Bruxelas, ndrozdiak1@bloomberg.net