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Dieta ocidental transforma comércio de grãos em mercado asiático

Alfred Cang

2019-05-21T13:15:27

21/05/2019 13h15

(Bloomberg) -- A chegada de um grande carregamento de trigo dos Estados Unidos ao recém-inaugurado porto de Mianmar sinaliza o maior peso do país no comércio global de grãos com o impulso da demanda por alimentos do Ocidente.

O graneleiro New Journey descarregou 22 mil toneladas de trigo escuro de primavera dos EUA na semana passada no Terminal Internacional de Granéis Thilawa, nos arredores da capital de Rangum, que tem capacidade para importar 1 milhão de toneladas por ano. Embora Myanmar esteja comprando pequenos contêineres de grãos, esta pode ser a primeira grande compra de trigo de uma só vez.

Embora ainda seja um dos países mais subdesenvolvidos do mundo, a abertura do mercado de Mianmar e previsões de crescimento acelerado têm puxado o investimento estrangeiro desde 2015, quando o país realizou sua primeira eleição democrática em 25 anos. A abertura para navios maiores que transportam mais volumes devem ajudar a reduzir os custos e também permitir que Mianmar alimente a população de 50 milhões de pessoas, enquanto trabalha para reduzir as taxas de pobreza e desnutrição.

"É representativo sobre o enorme crescimento no Sudeste Asiático", disse Darin Friedrichs, analista sênior da divisão de commodities da INTL FCStone na Ásia. "Há um enorme crescimento da demanda na região por grãos e oleaginosas."

Exportadores de grãos, que sentem o impacto do excesso de oferta nos últimos sete anos, estão ansiosos para explorar essa nova demanda diante da estagnação do consumo em mercados desenvolvidos. A unidade da gigante de comida asiática Wilmar International está construindo novos moinhos de farinha de trigo e importando diretamente o produto para o fornecimento de fabricantes locais de salgadinhos e panificadoras.

As importações de trigo de Mianmar devem subir 6% este ano, para 500 mil toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, enquanto as importações de farinha crescem a uma taxa anual de 7% a 10% desde 2017.

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