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Investidores do Facebook questionam poder de voto de Zuckerberg

Kurt Wagner e Paula Dwyer

28/05/2019 14h39

(Bloomberg) -- Pelo quinto ano consecutivo, Julie Goodridge apresentou uma proposta ao conselho de administração do Facebook para o voto de acionistas na reunião anual da empresa. Sua sugestão: alterar a estrutura de voto com duas classes de ações da empresa - sob a qual o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, tem direito a voto que lhe dá controle absoluto, apesar de possuir uma minoria das ações da plataforma de rede social.

Goodridge, presidente da NorthStar Asset Management, de Boston, quer eliminar uma classe especial de ações em mãos de investidores antigos que correspondem a 10 vezes mais votos do que ações que podem ser compradas no mercado de ações. Para Goodridge, cada ação deve ter o mesmo número de votos.

Mas há um problema com o plano de Goodridge: ela não pode avançar sua proposta na reunião de quinta-feira para limitar o poder de voto monopolista de Zuckerberg, porque Zuckerberg tem poder de voto monopolista. O executivo controla 88% dessas ações mais poderosas, o que lhe dá quase 58% do poder de voto no Facebook. Para mudar a estrutura de voto da empresa e reduzir o controle de Zuckerberg, Goodridge precisa do apoio da pessoa que mais perderia com a mudança: o próprio Zuckerberg.

É por isso que, mesmo antes que qualquer voto seja computado, Goodridge sabe que sua proposta não irá adiante pela quinta vez.

"Vamos [voltar a apresentar] até não poder mais", disse Goodridge. "Ou até que a empresa mude e atenda às nossas necessidades, o que obviamente não vai fazer."

Goodridge representa um grupo de pessoas sem poder cada vez mais frustradas: os acionistas do Facebook, insatisfeitos depois de mais de dois anos de escândalos e drama que abalaram a gigante de mídia social. Muitos estão preocupados com o fato de Zuckerberg ter acumulado muito poder, e o conselho de administração do Facebook, cujos membros foram indicados por Zuckerberg, não estaria fazendo o suficiente para responsabilizá-lo. Até mesmo Chris Hughes, ex-colega de Harvard e cofundador do Facebook, pediu ao governo dos EUA que desmembre o Facebook em um artigo publicado no New York Times no início deste mês. "O poder de Mark é sem precedentes e antiamericano", escreveu Hughes.

Sobre a questão da estrutura com duas classes de ações, o Facebook afirma que o controle de Zuckerberg é um benefício que permite à empresa pensar a longo prazo.