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Futebol feminino começa a atrair mais patrocínio na França

Geraldine Amiel e Rudy Ruitenberg

24/06/2019 10h56

(Bloomberg) -- As mulheres começam lentamente a se equiparar aos homens na França. Bem, pelo menos no futebol.

Na França, o futebol feminino nunca atraiu o mesmo interesse, atenção da mídia ou o dinheiro da seleção masculina. Mas isso começa a mudar. O país é sede da Copa do Mundo Feminina 2019, e os jogos se destacam na venda de ingressos, telespectadores, cobertura e, mais importante para as jogadoras francesas, fundos de patrocínio.

Na sexta-feira, a empresa química Arkema anunciou um contrato de três anos para os direitos de nomeação com a principal liga profissional feminina para a temporada que começa em agosto. O patrocínio é avaliado em 1 milhão de euros (US$ 1,13 milhão) por ano, segundo a Agence France-Presse.

"O contrato de nomeação é o primeiro da 1ª Divisão Feminina e uma excelente notícia para o desenvolvimento do futebol feminino, que passa por uma fase importante, como podemos ver, graças ao sucesso da Copa do Mundo Feminina", disse Noel Le Graet, presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), em comunicado.

Embora o valor represente uma fração dos 15 milhões de euros que o Uber Eats vai pagar para colocar sua marca no uniforme dos homens da Ligue 1 nesta próxima temporada, o patrocínio é um bom sinal para o futebol feminino na França. A Copa do Mundo Feminina - que começou em 7 de junho e tem final marcada para 7 de julho em Lyon - já superou as expectativas: a TF1, a estação de TV mais assistida da França, aumentou os preços dos anúncios duas vezes em uma semana para os jogos da seleção francesa. De acordo com a FIFA, a audiência global do torneio pode chegar a 1 bilhão de espectadores em relação aos 750 milhões da última Copa do Mundo de 2015.

O futebol na França - como em outras partes do mundo - ainda é, em grande parte, um esporte masculino, e os torneios femininos são vistos principalmente como uma moda americana. Filmes como "Driblando o Destino", de 2002, sobre uma equipe de garotas britânicas que aspiravam a uma carreira no futebol, pouco fizeram para mudar essa visão.

Na França, que demorou a apoiar o movimento feminista #MeToo, o interesse pelo futebol feminino é um fenômeno recente. Foi impulsionado em parte pela vitória da seleção masculina na Copa do Mundo pela segunda vez no ano passado, após o primeiro título em 1998.

A Copa do Mundo Feminina só confirmou esse interesse crescente, com estádios como o Parc des Princes, com 48 mil lugares, lotados na maioria dos jogos. No domingo, a seleção feminina francesa chegou às quartas-de-final depois de vencer o Brasil por 2 x 1.

Diferença salarial

Mas há um longo caminho a percorrer, considerando a diferença dos salários pagos para homens e mulheres no futebol francês.

O salário mensal de Neymar no PSG é estimado em cerca de 3,1 milhões de euros, segundo o jornal de esportes L'Equipe. O valor exclui bônus e contratos de publicidade.

Já o salário de uma jogadora do time feminino do PSG é de cerca de 10 mil euros, enquanto o Olympique Lyonnais, que treina uma equipe feminina desde 2004 e conta com várias estrelas internacionais, paga às suas jogadoras cerca de 30 mil a 40 mil euros por mês, segundo dados divulgados pela Federação Francesa de Futebol. Mas, em média, uma jogadora de futebol ganha 2,5 mil euros por mês na França, segundo dados da FFF.

Repórteres da matéria original: Geraldine Amiel em Paris, gamiel@bloomberg.net;Rudy Ruitenberg em Paris, rruitenberg@bloomberg.net

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