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O mistério em torno da fortuna do bilionário Jeffrey Epstein

Tom Metcalf

10/07/2019 14h23

(Bloomberg) -- Em um bairro de milionários e bilionários, a poucos passos da famosa área Museum Mile, em Nova York, duas iniciais discretamente adornam a entrada de uma das mansões mais opulentas da cidade: J.E.

As letras significam Jeffrey Epstein, que se define como "colecionador" de homens ricos e poderosos e que foi acusado de agredir sexualmente mulheres na luxuosa residência de Manhattan.

Na segunda-feira, quando promotores federais divulgaram novas acusações alegando que Epstein tinha uma rede de tráfico sexual que atraiu dezenas de jovens para a mansão, suas pesadas portas de madeira exibiam marcas de pé de cabra - prova de como as autoridades forçaram sua entrada no fim de semana de 4 de julho, feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos. Os promotores dizem que descobriram centenas, possivelmente milhares de fotografias sugestivas, incluindo algumas que pareciam ser garotas menores de idade.

A mais recente reviravolta na longa e lúgubre saga de Jeff Epstein acontece mais de uma década depois que um secreto acordo de delação premiada permitiu que evitasse acusações semelhantes na Flórida. Agora, as mesmas perguntas giram novamente em torno sobre suas possíveis ligações com proeminentes políticos e empresários.

Apesar de toda sua infâmia, há poucos detalhes de como conseguiu construir sua fortuna. Embora seja frequentemente chamado de bilionário, o patrimônio líquido de Epstein é difícil de ser calculado. Ele comandava uma empresa de gestão de recursos para ultra-ricos, principalmente para o fundador da Victoria's Secret, Les Wexner, mas seus ativos nunca foram divulgados e poucos em Wall Street trabalharam com ele como financista ou gestor de recursos.

Segundo informações de seus advogados há mais de uma década, ele tinha um patrimônio líquido superior a nove dígitos. Hoje, tão pouco se sabe sobre os atuais negócios ou clientes de Epstein que as únicas coisas que podem ser avaliadas com alguma certeza são suas propriedades. Estima-se que a mansão de Manhattan esteja avaliada em pelo menos US$ 77 milhões, segundo documento federal apresentado antes da audiência de fiança de Epstein.

Ele também tem propriedades no Novo México, Paris e Ilhas Virgens Americanas, onde tem uma ilha privada, e uma propriedade em Palm Beach avaliada em mais de US$ 12 milhões. Epstein se desloca entre suas propriedades em um jato privado e tem pelo menos 15 carros, incluindo sete Chevrolet Suburbans, de acordo com autoridades federais.

O início da carreira de Epstein é melhor documentado. Nascido em 1953 e criado no Brooklyn, Epstein abandonou a Cooper Union e o Instituto Courant da NYU. Conseguiu um bico ensinando cálculo e física na Dalton School de Manhattan entre 1973 e 1975, segundo perfil publicado pela revista New York, em 2002, onde seus alunos incluíram o filho do presidente do conselho do Bear Stearns, Alan Greenberg.

Epstein entrou no Bear Stearns em 1976 como assistente júnior de um operador da bolsa. Em uma rápida ascensão, negociando opções, se tornou sócio quatro anos depois, tendo sido elogiado pelo ex-CEO Jimmy Cayne. Saiu em 1981 para fundar a J. Epstein & Co.

Tinha um foco exclusivo: atenderia apenas bilionários. Epstein teria tomado todas as decisões de investimento.

Desde a década de 1990, a empresa foi incorporada às Ilhas Virgens Americanas e agora é chamada de Financial Trust Co. Uma pessoa que atendeu o telefone da empresa com sede em St. Thomas desligou após um pedido de comentários.

O principal cliente foi Wexner, fundador da fabricante de roupas íntimas L Brands. Epstein começou a administrar seu dinheiro na década de 1980, e um perfil de 2003 da Vanity Fair destacou que a dupla tinha um relacionamento próximo, o suficiente para que Epstein comprasse a mansão de Manhattan de Wexner.

Wexner, que tem uma fortuna de US$ 6,7 bilhões, segundo o Índice de Bilionários Bloomberg, não quis comentar. Nenhum dos outros clientes de Epstein foi identificado. Mas, embora a gestora de recursos continue sendo uma caixa preta, o mesmo não pode ser dito do próprio Epstein.

--Com a colaboração de Caleb Melby, Amanda Gordon e Sophie Alexander.

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