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Aeroportos querem identificar drones em prol da segurança

Jarrell Dillard

12/07/2019 14h54

(Bloomberg) -- Um força-tarefa formada pelos aeroportos dos EUA e a indústria de drones para uso civil recomenda que esses aparelhos sejam obrigados a transmitir sua identidade para prevenir ocorrências como aquela que fechou o aeroporto de Gatwick, em Londres, no ano passado.

Em relatório divulgado nesta sexta-feira, a força-tarefa ? estabelecida pelo Conselho Internacional de Aeroportos na América do Norte e pela Associação Internacional de Sistemas de Veículos Não Tripulados ? pediu maior velocidade na adoção da tecnologia de identificação de drones.

"Conforme esclarece este relatório, a segurança dos aeroportos não se limita mais simplesmente ao perímetro do aeroporto; medidas precisam ser tomadas além do perímetro para aeronaves que decolam e se aproximam", afirmou Kevin Burke, presidente do Conselho de Aeroportos, no comunicado à imprensa distribuído junto com o estudo.

A recomendação da força-tarefa provavelmente será criticada pelos que usam drones como hobby, que não desejam pagar por um sistema de transmissão de identidade.

As ocorrências causadas por drones de lazer trazem preocupações para os responsáveis pela segurança dos aeroportos e para empresas como Amazon.com e Alphabet, que desenvolvem maneiras de entregar produtos com drones.

A força-tarefa pede que a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) e a Agência de Transporte do Canadá criem uma abordagem padronizada para instalação de tecnologia em drones que possa ser usada para alertar torres de controle de tráfego aéreo e autoridades anticrime e permita localizar infratores.

O relatório também recomenda a realização de campanhas de conscientização do público sobre os perigos dos drones perto de aeroportos.

"Como já vimos, incursões recentes ao redor de aeroportos demonstram que é preciso fazer mais e mais rápido do que os processos regulatórios permitem; por isso o trabalho da força-tarefa é tão importante", disse Burke.

No ano passado, o aeroporto de Gatwick ficou fechado por mais de um dia, após drones serem vistos na área. O outro grande aeroporto de Londres, Heathrow, foi brevemente fechado em janeiro, quando um drone foi observado nas proximidades. Situações similares ocorreram no aeroporto de Newark, em Nova Jersey, e no aeroporto de Dubai.

No ano passado, a FAA alertou aeroportos para falhas na tecnologia antidrone. Em testes realizados pelo governo, os radares foram incapazes de identificar drones adequadamente. O radar não conseguiu encontrar um drone posicionado para este fim e identificou drones erroneamente. A intensidade dos sinais de rádio perto dos aeroportos torna ainda mais difícil encontrar os drones.

Em maio, a FAA divulgou orientações atualizadas que estabelecem uma série de requisitos que os aeroportos precisam cumprir em relação a equipamentos de detecção. Radares usados para monitorar aviões não funcionam para pequenos drones, mas o relatório sugere que os aeroportos busquem aconselhamento jurídico para escolher sistemas especializados, uma vez que parte dessa tecnologia pode infringir regulamentos.

"Este relatório provisório representa um passo significativo para assegurar que os aeroportos, a indústria de sistemas aéreos não tripulados e o governo tenham o mesmo entendimento e estejam trabalhando em soluções para os sistemas aéreos não tripulados dentro e ao redor dos aeroportos", afirmou Deborah Flint, copresidente da força-tarefa e presidente da Los Angeles World Airports, no comunicado à imprensa. "Muito mais trabalho precisa ser feito, mas agora estamos caminhando na direção certa."

--Com a colaboração de Alan Levin.