IPCA
0,51 Nov.2019
Topo

Analistas questionam munição de bancos centrais para crescimento

Enda Curran

15/07/2019 15h08

(Bloomberg) -- Bancos centrais se preparam para enfrentar outra crise econômica mas, em vez de disparar bazucas, lançam granadas de mão.

O presidente do Federal Reserve dos EUA, Jerome Powell, e seu homólogo do Banco Central Europeu, Mario Draghi, estão preparados -- assim como autoridades monetárias de outros países -- para reduzir os juros e impulsionar o crescimento da economia, atualmente o mais fraco em uma década. A inflação, por sua vez, continua sem força. No entanto, os bancos centrais têm poucas ferramentas para trabalhar e, talvez mais preocupante, os instrumentos disponíveis não têm em potência.

A expansão da economia e a alta dos preços não reagem apesar do dinheiro mais barato já em circulação. Além disso, outros estímulos podem não causar muito impacto para compensar os danos causados pela guerra comercial. Obstáculos estruturais, como o maior nível de endividamento, a transformação digital e o envelhecimento da população também neutralizam o efeito do afrouxamento da política monetária.

"Há limites sobre o que uma maior flexibilização monetária poderia conseguir", disse em junho o presidente do banco central da Austrália, Philip Lowe. "Ainda há benefícios, mas há limites."

Bancos centrais estão sob pressão para agir mais. Um exemplo são os ataques contra o Fed liderados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Investidores também pressionam, mas, ao mesmo tempo, questionam o impacto de mais estímulos. Cerca de US$ 13 trilhões em títulos de dívida agora oferecem rendimentos abaixo de zero. Ainda assim, a impotência da política monetária era uma grande preocupação dos gestores de recursos consultados no mês passado pelo Bank of America.

"Cortar os juros agora faz sentido, dada a fraqueza da atividade", disse Janet Henry, economista-chefe do HSBC Holdings. "Nenhum banco central quer ser responsabilizado por não ser ágil o suficiente para impedir que uma expansão seja interrompida."

--Com a colaboração de Toru Fujioka, Zoe Schneeweiss e Richard Miller.

Economia