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Seguradoras britânicas vão avaliar impacto climático no mercado

Mathew Carr e Lisa Pham

02/08/2019 13h27

(Bloomberg) -- Pela primeira vez, o Banco da Inglaterra está pedindo às seguradoras britânicas que avaliem como o aquecimento global pode impactar o valor de ações e títulos em suas carteiras - e a probabilidade desse impacto abalar os mercados financeiros.

O banco central, que regulamenta o setor de serviços financeiros do Reino Unido, incluiu três cenários relacionados à mudança climática em um teste de estresse mais amplo sobre o nível de resistência do segmento em tempos de crise. As respostas devem ser enviadas até 31 de outubro.

O exercício, que começou em junho, faz parte de uma iniciativa do presidente do BOE, Mark Carney, focar a atenção dos investidores tanto em questões ambientais quanto em como estas criam novos riscos para o sistema financeiro. Depois de quase 200 países terem apoiado o Acordo de Paris de 2015 sobre as mudanças climáticas, que estabelece limites às emissões de combustíveis fósseis, economias de todo o mundo implementam regulamentações sobre a poluição do carvão e estimulam investimentos em fontes renováveis, como energia eólica e solar.

"O mais interessante é como o teste de estresse mudará a forma como as seguradoras pensarão sobre esses setores em particular", disse Mark Lewis, chefe global de pesquisa em sustentabilidade da unidade de gestão de ativos do BNP Paribas.

Os três cenários climáticos da Autoridade de Regulação Prudencial (PRA) do banco são "exploratórios". Essas "narrativas hipotéticas" são pensadas para "promover discussões sobre como os modelos de negócios e balanços patrimoniais podem precisar se adaptar, e não sobre a avaliação da resiliência financeira atual", afirmou o BOE em um documento de diretrizes publicado em 18 de junho.

As premissas estabelecidas pela PRA são "propositadamente não exaustivas, já que o objetivo desta análise de cenário é de natureza investigativa", disse o regulador. "A PRA reconhece que, para diferentes portfólios, a materialidade dos perigos de catástrofes naturais e classes de ativos afetados será diferente."

O exercício pode levar os acionistas a verem as seguradoras como uma perspectiva mais arriscada, disse David Lunsford, cofundador e chefe de desenvolvimento da Carbon Delta, que presta consultoria sobre riscos climáticos e forneceu informações para a PRA.

"O interesse da PRA é olhar para os cenários mais extremos", disse. "Embora muitas pessoas pensem que as seguradoras entendem os desastres naturais o suficiente para lidar com as mudanças climáticas, a questão "apresentará muitos desafios. Algumas seguradoras podem estar mais expostas do que o esperado antes dos testes."

Os cenários escolhidos pelo Banco da Inglaterra não são necessariamente os resultados esperados. Eles refletem uma "mudança particularmente abrupta" e parecem reconhecer como os mercados funcionam, Edwin Anderson, sócio da consultoria de gestão da Oliver Wyman.

Seguradoras, como Aviva e Prudential, não quiseram comentar. Steven Findlay, chefe de regulamentação prudencial da Associação Britânica de Seguradoras,em Londres, disse que o exercício é bem-vindo.

A PRA não pretende divulgar os resultados dos testes para seguradoras individualmente e publicará um resumo dos resultados no primeiro trimestre de 2020.

--Com a colaboração de Silla Brush e Will Hadfield.

Repórteres da matéria original: Mathew Carr em London, m.carr@bloomberg.net;Lisa Pham em Londres, lpham14@bloomberg.net

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