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Governo chinês aumenta presença em gigantes do setor privado

Lulu Chen

23/09/2019 07h15

(Bloomberg) -- O governo de um dos principais centros de tecnologia da China indicou funcionários para 100 empresas locais, incluindo o gigante de comércio eletrônico Alibaba Group, em mais uma iniciativa para exercer maior influência sobre o amplo setor privado do país.

Hangzhou, na província oriental de Zhejiang, designou representantes de assuntos governamentais para facilitar a comunicação e agilizar projetos, disse o governo da cidade em seu site. A gigante de bebidas chinesa Hangzhou Wahaha e a montadora Zhejiang Geely estão entre as outras empresas com sede na próspera região que foram selecionadas, segundo informações de meios de comunicação estatais.

Hangzhou disse que a iniciativa visa a suavizar o fluxo de trabalho entre funcionários do governo, empresas de alta tecnologia e o setor de manufatura da China. Mas a medida pode ser vista também como um esforço para manter o controle sobre o setor privado, que ganha influência como um dos principais propulsores da segunda maior economia do mundo. Representantes do sistema de segurança pública do país já fazem parte das equipes das maiores empresas de Internet da China, responsáveis pela prevenção ao crime e por eliminar boatos.

A iniciativa das agências do governo também pode ter como objetivo aumentar o monitoramento do amplo setor privado em um momento em que a economia da China está desacelerando - o que aumenta a expectativa de demissões como meio de proteger os lucros. O Alibaba realiza sua conferência anual de investidores esta semana em Hangzhou, em um contexto de deterioração do cenário econômico do país.

"Pode ser que estejam verificando se as unidades do Partido Comunista estão trabalhando efetivamente dentro das empresas", disse Paul Gillis, professor da Escola de Administração Guanghua da Universidade de Pequim. "Embora a China tenha legitimado o capitalismo, o nível de influência do governo nunca quis desaparecer. Ocasionalmente, empreendedores privados se esquecem disso e são lembrados."

"Entendemos que esta iniciativa do governo da cidade de Hangzhou visa promover um melhor ambiente de negócios para apoiar empresas com sede em Hangzhou. O representante do governo funcionará como uma ponte para o setor privado e não interferirá nas operações da empresa", afirmou o Alibaba em comunicado. Representantes da Wahaha e Geely não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

A iniciativa de Hangzhou também destaca como o governo tenta deter a desaceleração da economia provocada pela guerra comercial, disse Brock Silvers, diretor da Kaiyuan Capital. Silvers espera que políticas semelhantes sejam seguidas em breve em outras áreas de produção intensiva.

--Com a colaboração de Ying Tian e Rachel Chang.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net