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Falha em teste com simulador causa atraso em retorno do 737 Max

Alan Levin

08/11/2019 14h31

(Bloomberg) -- Os engenheiros da Boeing estavam quase terminando o novo design do software do 737 Max em junho, quando alguns pilotos entraram em um simulador para fazer alguns testes.

Os resultados não foram bons.

Uma falha simulada no computador fez com que o avião mergulhasse de forma abrupta, semelhante ao problema que causou os desastres aéreos na Indonésia e Etiópia meses antes.

O resultado levou a uma extensa reformulação dos computadores de voo do avião, que se arrasta há meses, adiando várias vezes a data de retomada das operações, segundo pessoas informadas sobre os trabalhos. A empresa - que inicialmente estava confiante de que poderia concluir a recertificação do jato com a Administração Federal de Aviação em questão de meses - agora diz que espera obter aprovação antes do final do ano.

Mudar a arquitetura dos dois computadores de voo do jato, que comandam pilotos automáticos e ferramentas essenciais, mostrou ser muito mais trabalhoso do que consertar o sistema diretamente envolvido nos acidentes com o 737 Max, disseram essas pessoas, que pediram para não serem identificadas falando sobre o assunto.

O novo design também provocou tensões entre os reguladores de aviação e a Boeing. Ainda nesta semana, a FAA e Agência Europeia para a Segurança da Aviação pediram mais documentação sobre as mudanças nos computadores, disse uma das pessoas, potencialmente atrasando ainda mais a certificação.

Desenvolver e testar software em aviões é um processo exigente. Os fabricantes podem ter que demonstrar, com amplos testes, que uma falha de software que levasse a uma queda seria tão rara quanto uma em um bilhão.

"É realmente complicado", disse John Hansman, professor de aeronáutica e astronáutica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que não está envolvido no novo design, sobre a revisão do software da aeronave. "Faz totalmente sentido o fato de estar demorando."

Representantes da FAA e do Agência Europeia de Segurança se mostraram frustrados com a Boeing em uma reunião em meados do ano, quando executivos da empresa não forneceram uma explicação suficientemente detalhada das mudanças.

Uma questão semelhante surgiu no início de novembro, quando uma auditoria descrevendo o trabalho sobre as mudanças não estava concluída e as agências ordenaram que a Boeing e a Collins, que fornece o computador de controle de voo, fizessem uma revisão, de acordo com uma pessoa a par do assunto.

Em comunicado, a Boeing disse que forneceu documentos técnicos aos órgãos reguladores "em um formato consistente com observações anteriores".

--Com a colaboração de Julie Johnsson.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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