PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Velocidade do rali do S&P 500 se aproxima de nível histórico

Lu Wang

18/12/2019 16h28

(Bloomberg) -- O medo de não aproveitar a alta do mercado acionário é tão disseminado que os investidores estão empurrando a valorização das ações das grandes empresas para níveis não observados há quase um século.

Uma métrica de velocidade, o índice de força relativa em 14 semanas do S&P 500, acabou de ultrapassar os 70 pontos, considerado um patamar extremo de exuberância. No fechamento do pregão de sexta-feira, o indicador de referência do mercado acionário americano era negociado a 26,3 vezes o lucro normalizado em cinco anos, de acordo com dados compilados pela Leuthold Group. Desde 1933, ocorreram 27 episódios de disparada no índice de força relativa, mas nunca com as ações tão caras.

Esses picos raramente acabaram com movimentos de ganhos. Em três quartos das ocasiões, o rompimento da marca dos 70 pontos precedeu a valorização das bolsas nos seis meses seguintes. Em todos os casos, o S&P 500 subiu 6,1% na média, superando a alta de 3,7% para todos os períodos.

Durante todo o ano, os investidores ignoraram a estagnação dos lucros, focando na flexibilização monetária e no progresso das negociações comerciais entre EUA e China. O S&P 500 avançou mais de 27%, com quase todo o ganho advindo da alta dos múltiplos de avaliação. A velocidade não dá sinais de ceder. O índice subiu em nove das últimas 10 semanas. A pergunta é o custo disso.

Este é "o dilema que os investidores de ações enfrentam", disse Doug Ramsey, diretor de investimentos da Leuthold. "O impulso é tão forte que provavelmente vai persistir, mas os investidores estão pagando mais do que nunca."

Por enquanto, a ganância está vencendo. Desde o final de setembro, entraram mais de US$ 50 bilhões em fundos negociados em bolsa (exchanged-traded funds ou ETFs) que investem em ações dos EUA, segundo dados compilados pela Bloomberg. É o dobro do ritmo de entrada dos três primeiros trimestres do ano.

Por si só, múltiplos esticados praticamente não servem mais como sinal de alerta para os investidores ? pelo menos nos últimos anos. A Leuthold examinou o índice cíclico de lucro ajustado do S&P 500 (um múltiplo com base nos lucros em 10 anos, também conhecido como CAPE) e encontrou uma média de 26 desde 1990 que é 85% maior que o nível médio apurado nos primeiros 90 anos do século 20.

Se baseassem suas decisões apenas nos múltiplos, os investidores teriam perdido ganhos anuais de quase 10% nesse período. Talvez a questão dos múltiplos mereça um novo olhar, já que a economia evoluiu em outra direção, justificou Jim Paulsen, que também trabalha na Leuthold.

Um argumento é que a economia americana deixou de ser cíclica e industrial e se tornou mais estável e focada em serviços. Talvez isso explique a menor frequência das recessões. Antes da Segunda Guerra Mundial, os EUA estavam em recessão metade do tempo. Nos últimos 30 anos, a situação ocorreu em menos de 10% do tempo, segundo os cálculos de Paulsen. Além disso, a inflação tem sido baixa e estável nas últimas décadas, aumentando a atratividade das taxas de retorno da renda variável.

Paulsen citou outros fatores seculares que estão por trás da era de múltiplos elevados: a tecnologia e a participação de pessoas físicas no mercado. Desde a revolução tecnológica, as ações dos EUA ficaram mais orientadas para o crescimento, característica que tende a buscar múltiplos mais altos. Paralelamente, mais gente investe na bolsa, o que ajuda a melhorar a liquidez.