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A lista de preocupações dos mercados na Europa em 2020

Michael Msika, Ksenia Galouchko e Sam Unsted

19/12/2019 15h36

(Bloomberg) -- Com o Stoxx 600 no nível máximo após subir 24% desde janeiro, 2019 deve terminar como o terceiro melhor ano para as bolsas europeias em duas décadas, após fortes ganhos em 1999 e 2009 (9 parece ser o número da sorte). Ninguém sabe o que vem pela frente, mas em 2020 o mercado deve enfrentar sérios obstáculos que dificultam uma reprise do desempenho visto este ano.

Primeiro, a tendência para os lucros. 2019 foi marcado por cortes sucessivos nas estimativas para os resultados corporativos. O movimento continua e a maioria dos estrategistas afirma que o consenso para 2020 ainda está alto demais. Segundo dados compilados pela Bloomberg, o lucro das componentes do Stoxx 600 deve crescer 8,9% no ano que vem, comparado a uma expansão projetada de 9,3% para as componentes do S&P 500.

Desde abril, os cortes nas estimativas de lucro superam as elevações nas projeções na Europa, inclusive no Reino Unido. Para a UBS Global Wealth Management, isso reforça a preferência por ações dos EUA.

O crescimento econômico continua sendo uma grande dúvida na Europa em 2020, com riscos de uma freada ainda maior na indústria de transformação. A perspectiva desafiadora foi destacada na semana passada pelo Banco Central Europeu, que baixou a previsão para a expansão da economia no ano que vem.

A última leva de dados de compras de suprimentos (as sondagens que resultam nos chamados PMIs) confirmou que os problemas persistem. A IHS Markit informou que a expansão do emprego no bloco é a menor em cinco anos e o PMI composto sugere que o crescimento econômico no quarto trimestre será o menor desde o fim da recessão, no segundo semestre de 2013.

Na França, a resiliência do setor de serviços compensou o tombo inesperado no ritmo da indústria de transformação. Na Alemanha, a má fase da indústria se agravou. As surpresas positivas de modo geral vêm aumentando, porém melhorias adicionais podem ser necessárias.

O Reino Unido possivelmente atingiu um ponto de inflexão na semana passada, que pode marcar o início de uma nova era para o principal retardatário da Europa em 2019. Na sexta-feira, o mercado acionário refletia a satisfação dos investidores com o desfecho eleitoral, mas a euforia é contida por ressalvas que afetarão 2020 e os anos subsequentes.

A formação de um governo conservador e o acordo que esses políticos tentarão para o Brexit não serão uma solução milagrosa, avalia James Dowey, gestor da equipe global de renda variável da Liontrust Asset Management. A saída da União Europeia "muito provavelmente terá custos econômicos significativos a longo prazo" e o verdadeiro problema da economia e das empresas britânicas ainda é a baixa produtividade, que o Brexit tende a piorar em vez de melhorar.

Embora o risco de uma saída da UE sem acordo seja pequeno, "2020 provavelmente será um ano complicado de negociações e manchetes noticiando altos e baixos", que causarão volatilidade nos preços dos ativos sensíveis ao Brexit no Reino Unido e na Europa, disse Esty Dwek, estrategista-chefe para o mercado global da Natixis IM Solutions.

Por fim, os gestores de carteiras ficarão atentos aos rendimentos da renda fixa. A curva de juros dos EUA funcionou bem como sinalizadora de recessões no passado. A liderança do mercado é movida pelos rendimentos dos títulos e a recente inflexão das taxas da dívida do governo alemão (Bund) com prazo de 10 anos deve puxar para cima as ações cíclicas e voltadas para valor.

Repórteres da matéria original: Michael Msika London, mmsika4@bloomberg.net;Ksenia Galouchko em Moscow, kgalouchko1@bloomberg.net;Sam Unsted London, sunsted@bloomberg.net