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Asiáticos querem bolsas de grife da Europa, não os supermercados

Rebecca Smith

26/12/2019 07h40

(Bloomberg) -- Mesmo com a maior dependência de marcas de consumo globais das vendas na Ásia, desde bolsas sofisticadas a fórmulas infantis, varejistas europeias continuam deixando esses mercados, que são os que mais crescem no mundo.

No exemplo mais recente, a britânica Tesco disse neste mês que avalia a venda de suas operações na Tailândia e na Malásia. No início deste ano, a alemã Metro e a rede francesa Carrefour se desfizeram de suas grandes lojas na China. A Marks & Spencer, do Reino Unido, se antecipou e concluiu sua saída da região no ano passado.

Os desinvestimentos, que revertem uma expansão de duas décadas, contrastam com o crescimento contínuo de empresas de luxo europeias, como LVMH e Kering, que aproveitam a demanda por bolsas Louis Vuitton e Gucci na China. Embora empresas de produtos convencionais, como as fabricantes de fórmulas para bebês Danone e Reckitt Benckiser, tenham relatado problemas na China, elas também dependem cada vez mais da Ásia.

Supermercados europeus e grandes redes varejistas decidiram que podem sobreviver sem o mercado chinês, onde os gastos dos consumidores estão diminuindo em meio à guerra comercial com os EUA. Muitos deles enfrentam desafios mais imediatos em seu próprio território, como o Brexit, protestos e greves na França.

"As empresas com uma posição de luxo ou premium se saem muito melhor na Ásia" do que as que vendem itens para o dia a dia, disse Ray Gaul, vice-presidente sênior de análise de varejo da empresa de pesquisa Kantar. "Os operadores de supermercado para as compras de todos os dias enfrentam dificuldades."

Rivais locais

Embora grandes varejistas ocidentais tenham evitado armadilhas políticas que causaram complicações para marcas de luxo e para a NBA, essas empresas tentam se diferenciar em um mercado em que rivais locais, como a Yonghui Superstores, estão se expandindo.

A Tesco, maior varejista do Reino Unido, transferiu sua operação na China para uma joint venture em 2013 e saiu da Coreia do Sul dois anos depois. A empresa poderia usar os recursos de uma venda de suas operações na Malásia e na Tailândia, que analistas avaliam em mais de US$ 9 bilhões, para reestruturar as operações no Reino Unido, onde a empresa cortou milhares de empregos e adotou novos formatos, como lojas sem caixas, para enfrentar a concorrência com redes de descontos e a pressão de preços relacionada ao Brexit.

Muitas redes europeias "tiveram que redirecionar os investimentos para proteger suas principais operações", disse Nick Miles, chefe de análise de Ásia no Institute of Grocery Distribution.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net