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Stuhlberger e Xavier defendem fim da queda de juros

Vinícius Andrade

29/01/2020 16h22

(Bloomberg) -- Para Rogério Xavier, um dos sócios fundadores da SPX Capital, e Luis Stuhlberger, fundador da Verde Asset Management, o Banco Central já fez o suficiente para estimular a maior economia da América Latina.

O impulso de um corte adicional na taxa básica de juros não é suficiente para compensar os riscos potenciais, de acordo com Xavier. Para ele, o mercado parece dar pouca atenção a metas cadentes de inflação e pode estar levando a autoridade monetária a fazer uma "grande bobagem."

"A política monetária que o BC fizer agora vai impactar 2021", disse Xavier, em evento em São Paulo nesta quarta-feira. "Só que temos, nas nossas projeções, com juro atual, inflação já na meta para 2021, ao redor de 3,75%. Sobre 2020, já não há mais o que possa ser feito," disse.

Para Stuhlberger, o Banco Central deveria ter interrompido o ciclo com o juro a 4,75%. "O lado negativo, de baixar e depois ter que subir, não é o que o mercado espera hoje. O mercado está forçando praticamente o BC a cortar mais."

Operadores estão precificando uma redução adicional de 25 pontos-base da Selic, o que levaria a taxa a uma nova mínima recorde de 4,25%. O Banco Central vai anunciar a sua próxima decisão no dia 5 de fevereiro.

Com cerca de R$ 42,5 bilhões sob gestão, a SPX Capital é uma das maiores gestoras independentes do Brasil. A Verde Asset Managament tem cerca de R$ 45,6 bilhões sob gestão e o Fundo Verde registra retorno de mais de 17.000% desde a sua criação.

Não há grandes divergências em relação à perspectiva para a moeda brasileira, que registra uma das piores performances entre as principais divisas globais neste ano. Stuhlberger não está nem vendido nem comprado, mas não vê muito espaço para a o real valorizar. Xavier espera um fortalecimento do dólar.

O fundo Verde continua investido em bolsa local, com cerca de 20% do risco em ações brasileiras, mas Stuhlberger disse que já procura uma "porta de saída", em meio ao que ele chama de "efeito bolha", com a corrida dos investidores em busca de ativos mais arriscados.

"Normalmente, a história mostra que, quando uma massa muito grande entra, forma uma bolha", disse Stuhlberger. "Cada semana aparecem dois, três fundos novos. Crédito privado, private equity, etc. Isso aqui é muito bom para a economia brasileira, o que pode ser ruim é para o investidor desses mercados."