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Bettamio, do BofA, prevê o dobro de emissão de ações no Brasil

Cristiane Lucchesi

30/01/2020 08h00

(Bloomberg) -- O Bank of America espera um aumento na venda de ações do Brasil em 2020, mesmo após 2019 já ter sido o maior ano para o mercado em uma década.

"Com o esperado crescimento econômico, devemos ter uma coqueluche de emissão de ações no Brasil", disse Alexandre Bettamio, presidente para América Latina do banco, em entrevista em Nova York.

Os investidores brasileiros estão transferindo uma média de R$ 3 bilhões por semana para ações desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro em outubro de 2018. Esse número vem se acelerando, com os fluxos para fundos de ações locais do Brasil atingindo R$ 5,4 bilhões na semana passada, o mais alto desde que os dados foram disponibilizados em 2014, disse ele.

É provável que esse ritmo continue nos próximos anos, levando a um fluxo total de R$ 400 bilhões para ações dos investidores locais, à medida que taxas de juros em recorde de baixa estimulam os poupadores a procurar novos tipos de investimentos, prevê Bettamio. As emissões de ações que se aproveitam de toda essa demanda podem mais que dobrar em 2020 em relação aos R$ 115 bilhões do ano passado, disse ele.

Uma série de tendências positivas está impulsionando o mercado, de acordo com Bettamio, que citou disciplina fiscal, inflação fraca, um "desmantelamento saudável" da propriedade do Estado por meio de vendas de ações e privatizações e reformas da Previdência Social que levarão a uma redução de gastos públicos.

O índice de referência Ibovespa saltou 32% no ano passado e mais que dobrou desde o final de 2015. As vendas de ações mais que triplicaram em 2019, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Os ganhos ocorreram mesmo em meio ao crescimento econômico morno, que desacelerou para 1,1% em 2019 ante 1,3% no ano anterior.

A equipe de pesquisa global do Bank of America espera que a economia cresça 2,4% este ano, uma previsão mais otimista do que a média de 2,2% dos analistas consultados pela Bloomberg.

Outro ponto positivo: o Congresso parece estar em maior sintonia com a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, e isso facilita a continuação de iniciativas como reforma tributária e mudanças nas regras que regem os custosos benefícios dos servidores, segundo Bettamio, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Também aumenta as chances de aprovação de legislação que possa estimular os investimentos privados necessários no sistema de saneamento do país.

"Guedes tem uma mente historicamente liberal e tem sido uma voz de destaque a impulsionar discussões econômicas, aumentando de forma crítica a conscientização sobre a necessidade de reformas amplas", disse Bettamio.

Contando apenas desinvestimentos envolvendo empresas estatais, estão em andamento emissões de ações no total de R$ 60 bilhões neste início de ano. Eles incluem a venda de participações do banco de desenvolvimento BNDES na JBS e na Petrobras. A própria Petrobras está decidindo se deseja vender sua fatia remanescente na Petrobras Distribuidora, e o Banco do Brasil planeja se desfazer de participação no Banco Votorantim.

O Bank of America subiu da sexta posição para o segundo lugar no ranking de receita com comissões de bancos de investimento no Brasil no ano passado, segundo a empresa de pesquisa Dealogic, com sede em Londres. O banco foi um dos líderes em três das maiores ofertas de ações: a venda de uma participação de R$ 9,63 bilhões da Petrobras na Petrobras Distribuidora, a oferta pública inicial de US$ 2,25 bilhões da XP e a alienação de uma fatia de R$ 7,39 bilhões da Caixa Econômica Federal no IRB.

Fluxos estrangeiros

Depois de um ano lento de fluxos estrangeiros para as ações no Brasil -- apenas US$ 1,6 bilhão foram destinados a esses fundos dedicados em 2019 --, Bettamio está finalmente vendo uma recuperação. Os fundos dedicados ao Brasil tiveram entradas de US$ 274 milhões na semana passada, atingindo seis semanas seguidas de fluxo positivo, disse ele, acrescentando que isso tem sido uma tendência global. Os mercados emergentes tiveram 13 semanas seguidas de entradas, à medida que os investidores aumentaram sua alocação para eles.

Com sinais de crescimento na América Latina este ano, o Brasil provavelmente será o mercado mais ativo, disse Bettamio.

"É aí que esperamos que nossos clientes mais precisem de nós e vemos uma oportunidade significativa de aprofundar nossa participação de mercado", disse ele.