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Nova gigante europeia de pagamentos mira mais aquisições

Helene Fouquet

07/02/2020 08h50

(Bloomberg) -- A aquisição de 7,8 bilhões de euros (US$ 8,6 bilhões) da Ingenico pela rival Worldline criará um gigante de pagamentos na Europa, mas a nova empresa francesa combinada ainda pode não ser grande o suficiente para enfrentar globalmente a grande e veloz concorrência dos Estados Unidos.

Empresas de tecnologia de trilhões de dólares como Apple e Amazon.com estão expandindo rapidamente seus produtos de pagamento em todo o mundo, e o Apple Pay já eclipsou a solução de pagamento móvel oferecida pela Nets, com sede em Copenhague. A receita do Paypal somou US$ 17,8 bilhões no ano passado, e a Fiserv, que comprou a First Data no mesmo período, gera cerca de US$ 15,3 bilhões em receita.

A Worldline planeja que sua mais recente aquisição - a maior transação do ano até agora na Europa - ajude a gerar receita anual de cerca de 5,3 bilhões de euros. E, com a compra da Ingenico, o grupo também assume uma empresa que há anos tenta fazer a transição da captura de transações em nome de empresas de cartão de crédito em lojas para áreas como compras on-line.

O diretor-presidente da Worldline, Gilles Grapinet, diz que está de olho em outros negócios.

"Embora as aquisições certamente nos permitam adquirir novas soluções e talentos inovadores para fortalecer nossas fileiras, elas também aumentam significativamente nossa força em inovação", disse Grapinet à Bloomberg, acrescentando que a empresa planeja permanecer como "uma força motriz" por trás da consolidação da indústria no continente.

O setor global de pagamentos pode atingir US$ 2,7 trilhões por ano em receita até 2023, segundo pesquisa da McKinsey, e está espalhado entre empresas que ajudam a conectar consumidores, comerciantes e bancos. A Worldline já é líder europeia em muitas dessas áreas. A fusão com a Ingenico também a coloca à frente da alemã Wirecard em termos de valor de mercado, atrás apenas da Adyen, com sede nos Países Baixos.

O preço das ações da Worldline acumula alta de 10% no ano e cerca de 36% nos últimos 12 meses. A presença de uma empresa de pagamentos europeia de peso e em expansão entre gigantes dos EUA ajudará a acelerar a consolidação em curso no continente, disse Martina Weimert, sócia da prática de serviços financeiros da Oliver Wyman.

Mas Jonathan Simnett, diretor da firma de consultoria em fusões e aquisições de tecnologia Hampleton Partners, descreveu o acordo entre Ingenico e Worldline como "defensivo".

"Eles ainda estarão sob pressão, pois os hábitos de compra continuam a mudar e mais transações são feitas on-line", disse. "Precisam se mover muito rapidamente para permanecer relevantes."

Como seus rivais nos EUA, a Worldline também tenta encontrar startups que possam garantir sua agilidade. No ano passado, a empresa apoiou a fundação de uma incubadora fintech com foco em pagamentos eletrônicos e fez parceria com o serviço financeiro de criptografia suíço Bitcoin Suisse para ganhar presença no segmento de pagamentos com criptomoedas.

"Todo mundo está sob pressão competitiva, todo mundo está tentando conquistar um mercado em declínio", disse Simnett.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net