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Mudança climática pode cortar lucro de setor de carne, diz Fairr

Agnieszka de Sousa

12/03/2020 09h54

(Bloomberg) -- O aquecimento global e a competição com proteínas vegetais podem encolher os lucros de grandes produtoras de carne a longo prazo, a menos que mudem de estratégia, segundo a associação de investidores Fairr.

O calor pode aumentar a mortalidade de bovinos e de outros animais, a baixa produtividade das colheitas elevaria os custos da ração e impostos relacionados ao meio ambiente ameaçam reduzir a demanda por carne, de acordo com estudo da Fairr elaborado para ajudar investidores a avaliar melhor o impacto da mudança climática em suas posições.

Como governos adotam políticas mais rigorosas de emissões para atender às metas do Acordo de Paris, investidores buscam meios de ajustar estratégias que reflitam as mudanças. É por isso que a Fairr, cujos membros administram US$ 20 trilhões em ativos, lançou uma ferramenta para ajudar a avaliar como as empresas podem ser afetadas pelas mudanças climáticas e pela transição para uma economia de baixo carbono.

Um cenário do modelo mostra que um aumento de 2 graus Celsius em 2050 poderia reduzir os lucros de cinco grandes processadoras de carne em pelo menos 30% - potencialmente equivalente a bilhões de dólares -, a menos que reduzam a exposição à carne bovina e de aves ou aumentem a participação no mercado de proteínas alternativas, disse a Fairr.

Embora os bovinos representem cerca de 15% das emissões globais e sejam uma das principais causas do desmatamento, a maioria dos fornecedores de carne não fez o suficiente para analisar o impacto do clima em suas operações, disse a Fairr.

"Esta ferramenta é o primeiro passo para ajudar investidores e empresas a entender os riscos e oportunidades do aquecimento global no setor de carnes", disse o fundador da Fairr, Jeremy Coller, em comunicado. "Quando se trata do impacto do clima na indústria de carnes, os números são muito altos, e o 'quantum' de danos ambientais é muito significativo para ser ignorado pelos investidores."

A ferramenta-piloto inclui a JBS, Tyson Foods, BRF, Maple Leaf Foods e Minerva. No cenário de temperaturas acima de 2 graus Celsius, a ferramenta indica que o Ebitda da JBS poderia cair 45% até 2050 caso a empresa não reduza a exposição à carne bovina e de aves e aumente a presença no mercado de proteínas alternativas.

Ainda assim, as empresas podem se sair bem se reduzirem o peso dos produtos de origem animal em meio à crescente demanda por carne à base de plantas e alternativas. O lucro da canadense Maple Leaf, por exemplo, poderia subir 77% nas próximas três décadas caso a empresa aumente o foco em proteínas alternativas, enquanto os ganhos da Tyson dariam um salto de 69%, disse a Fairr.

Porta-vozes da JBS, BRF, Tyson e Minerva disseram que as empresas tomam medidas para abordar as preocupações relacionadas ao aquecimento global. Entre elas está a mitigação dos riscos das mudanças climáticas nas operações, redução das emissões e melhoria da gestão sustentável, com o monitoramento das cadeias de suprimento e diversificação com produtos de carne vegetal.

Das 43 maiores empresas de carne de capital aberto, apenas duas - Tyson e Marfrig Global Foods - divulgaram a análise de cenários relacionados ao clima segundo a abordagem estabelecida pelo Grupo de Trabalho sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês), disse a Fairr.

O TCFD é presidido por Michael Bloomberg, fundador e acionista majoritário da Bloomberg LP, que controla a Bloomberg News. A entidade visa estabelecer padrões globais voluntários.

--Com a colaboração de Akshat Rathi, Tatiana Freitas e Lydia Mulvany.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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