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Pandemia é novo desafio para consultores financeiros veteranos

Michael McDonald e Annie Massa

19/03/2020 13h13

(Bloomberg) -- Mesmo para consultores financeiros que enfrentaram a segunda-feira negra de 1987, o estouro da bolha de internet e a crise financeira global de 2008, o caos no mercado provocado pelo coronavírus é um território desconhecido.

Na linha de frente dos investimentos, esses consultores tentam orientar clientes a entender a correção do mercado. Para todos aposentados em pânico cujos orçamentos implodiram, existem cronômetros de mercado prontos para fazer o dinheiro trabalhar, dizem.

'É hora de comprar?'

Susan Kaplan, consultora de investimentos registrada em Newton, Massachusetts. A conta média de clientes é de US$ 3,5 milhões, com patrimônio líquido médio de US$ 10 milhões a US$ 12 milhões.

"O que tenho feito é pedir que as pessoas esperem", disse. "Querem comprar, têm muito dinheiro."

Embora diga que os preços possam parecer sedutores, ela recomenda ao clientes que esperem por mais certezas antes de comprar. "Só acho que a volatilidade acabará quando eliminarmos este vírus", disse.

'Estamos perto do piso?'

Kristin McKenna, consultora de patrimônio, Darrow Wealth Management em Boston. A empresa administra cerca de US$ 200 milhões e a conta média dos clientes é de US$ 1,6 milhão.

"A maioria das pessoas faz as mesmas perguntas: devemos fazer alguma coisa? Estamos perto do piso? Ainda devo colocar dinheiro? A maioria de nossos clientes se sente confortável em esperar e sabe que é a melhor coisa que podem fazer."

'É hora de vender?'

Leon LaBrecque, diretor de crescimento da Sequoia Financial, em Akron, Ohio. A empresa administra cerca de US$ 4,2 bilhões. O saldo médio da conta é de cerca de US$ 1 milhão.

LaBrecque disse que quase metade das ligações que recebe são de clientes perguntando sobre oportunidades de compra. O resto está preocupado, apesar de ainda não estar vendendo, disse. Seu conselho? Aguentar firme, por enquanto.

"O medo é diferente da situação de 2008", disse LaBrecque. "Todos temos muitas preocupações com o vírus, nossos empregos, como lidamos com o distanciamento social, além de nosso dinheiro."

'Deveria estar assustado?'

Steve Morton, que comanda a Captrust Financial Assessores, em Greensboro, Carolina do Norte. As contas médias são de cerca de US$ 2 milhões, quase todos aposentados ou perto de se aposentar.

Morton diz que seus clientes reservam cinco anos em dinheiro para a renda, normalmente US$ 400 mil, e mantêm o restante em contas de ações e títulos administrados ativamente.

"Estamos vendendo títulos e comprando ações", diz, acrescentando que recomenda aos clientes não se preocuparem com a renda. "Certamente, dentro de cinco anos, vamos criar uma vacina para isso, o que os acalma."

Andrew Komarow, cofundador da Tenpath Financial Group em Farmington, Connecticut. A empresa administra cerca de US$ 100 milhões para 100 famílias.

"Agora as pessoas começam a ficar um pouco assustadas", disse. "O medo é real." Mas ele disse que seus clientes "sabem que a melhor coisa é não fazer nada".

©2020 Bloomberg L.P.