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Estigma marca obrigatoriedade de testes de Covid-19

Jihye Lee e Saritha Rai

13/05/2020 15h15

(Bloomberg) -- Autoridades de saúde pública do mundo todo concordam que testes e rastreamento de contatos são vitais para conter a pandemia de coronavírus. Mas, para muitas pessoas, fazer o teste - sem falar em revelar informações pessoais de amigos, familiares e contatos próximos - é mais aterrorizante do que o Covid-19.Na Coreia do Sul, onde o casamento gay é ilegal e a homofobia é comum, autoridades tentam identificar milhares de pessoas que podem ter sido expostas ao vírus em boates gays em Seul. Na Malásia, imigrantes sem documentos e trabalhadores estrangeiros dizem temer detenção ou deportação. Na Índia, pacientes com o vírus e com casos não confirmados dizem que se tornaram alvos de assédio on-line e presencial.

Governos de vários países divulgaram volumes sem precedentes de informações sobre casos reais e potenciais de Covid-19 - idades, bairros, padrões de viagens -, tudo em nome da saúde pública. Mas isso também estimulou um novo tipo de vigilância e ameaça à privacidade pessoal, e especialistas temem que assédio e preconceito possam minar o principal objetivo da divulgação: controlar a transmissão local."Tudo se tornou muito assustador", disse Deepak Saxena, professor do Instituto Indiano de Saúde Pública de Gujarat. Autoridades de saúde da Índia dizem que pacientes fugiram de hospitais antes dos resultados dos testes, temendo o abuso físico e ostracismo social que podem seguir um resultado positivo. "Ninguém quer ser testado. As pessoas farão qualquer coisa para não estar em uma daquelas listas que estão circulando", disse Saxena.

©2020 Bloomberg L.P.