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Argentina vê pico da pandemia em duas semanas, diz ministro

Patrick Gillespie

19/06/2020 13h34

(Bloomberg) -- Os casos de coronavírus podem atingir o pico na Argentina entre o fim de junho e o início de julho, apesar de os casos e mortes por vírus aumentarem em ritmo mais acelerado, segundo o ministro da Saúde, Ginés González García.

"Acreditamos que essas semanas podem ser as semanas com mais casos", disse González à Bloomberg News em entrevista na quinta-feira, em referência à última semana de junho e a primeira de julho. Ele alertou que é difícil fazer projeções.

A Argentina registrou 35 mortes relacionadas à Covid na quinta-feira, igualando o recorde diário desde o início da pandemia. Os novos casos subiram para o recorde de 1.958, um aumento em ritmo mais acelerado em parte porque o vírus chegou a bairros densamente povoados e de baixa renda na área metropolitana de Buenos Aires.

O governo do presidente Alberto Fernández implementou uma das primeiras e mais rigorosas quarentenas em 20 de março e, inicialmente, projetou que os casos atingiriam o pico em maio. A quarentena deve durar até pelo menos 28 de junho, e, na quarta-feira, o governo reforçou as restrições para limitar a circulação no transporte público na área de Buenos Aires.

González defende a decisão do governo de agir de forma enérgica e com antecedência, embora, olhando para trás, reconheça que o governo, como muitos no mundo inteiro, tenha cometido erros, sem entrar em detalhes.

"O sucesso que tivemos no número de casos tem a ver com a rapidez com que pensamos sobre a quarentena", disse González. Globalmente, "estamos todos cometendo e aprendendo com nossos erros e com os erros no exterior. Essa tem sido a questão para a Argentina, olhando para todos e tentando garantir que as coisas piorem menos aqui do que no resto do mundo".

A Argentina ocupa a 34ª posição global em número de casos de Covid-19, com 37.510 infecções confirmadas, números consideravelmente mais baixos do que pares regionais, como México e Brasil, de acordo com o banco de dados sobre a Covid-19 da Johns Hopkins University. México e Brasil adotaram medidas de contenção muito menos restritivas e se tornaram novos epicentros da pandemia.

Fernández recebeu elogios em março por implementar uma quarentena rigorosa, apesar dos pesados custos econômicos. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico prevê queda de 10% para a economia da Argentina neste ano, um das retrações mais fortes do mundo.

Mas o governo de Fernández foi criticado por um nível relativamente baixo de testes para o vírus. A Argentina ocupa a metade inferior de países da América do Sul em testes a cada mil pessoas, com 3,75 em média. Países vizinhos como Chile, Uruguai e Paraguai realizam mais testes a cada mil do que a Argentina, segundo dados compilados pelo Wilson Center, em Washington. González minimizou a necessidade de testes em larga escala.

"Acho que há uma ênfase exagerada nos testes", disse González. "Não entendo essa ideia de 'quantos testes' como se fosse um indicador de eficiência, porque os países que fizeram muitos testes não estão indo bem."

E acrescentou: "Acreditamos que fizemos os testes necessários".

González destacou que, nos últimos 80 dias, a Argentina aumentou o número de leitos de unidades de terapia intensiva em 35%, não enfrenta falta de respiradores e 40% de todos os leitos hospitalares permanecem disponíveis.

O ministro também descartou qualquer noção de que a rara unidade política que a Argentina presenciou em março esteja perdendo força, apesar de Fernández ter criticado o governo da cidade de Buenos Aires, controlado pelo partido da oposição, por permitir que os moradores possam correr à noite.

©2020 Bloomberg L.P.

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