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Emergentes de maior risco ampliam onda recorde de emissões

Sydney Maki e Jaqueline Ting Quesada

30/06/2020 12h36

(Bloomberg) -- Um trimestre sem precedentes para a emissão de títulos de mercados emergentes está terminando com uma arrancada final.

Com um recorde de US$ 180 bilhões em títulos em dólares já emitidos por países em desenvolvimento desde março, Jordânia e Ucrânia estão agora preparando emissões, enquanto a Polônia também está vendendo notas em euros. O Uzbequistão disse que planeja explorar o mercado ainda este ano.

A chegada de nações menos presentes no mercado, como a Jordânia e a Ucrânia, sugere que o boom impulsionado pelo vírus pode agora estar se abrindo para países de rating mais baixos. As operações com grau de investimento representaram 78% das emissões no segundo trimestre.

"É difícil entender por que você não teria mais emissões de alto rendimento voltando ao mercado", disse Sara Grut, estrategista sênior do Goldman Sachs Group, em entrevista em Londres.

As ofertas do mundo em desenvolvimento secaram em março e abril, quando a crise de liquidez provocada pela pandemia assustou compradores e vendedores. Desde então, as condições de empréstimos no exterior melhoraram, principalmente para títulos com grau de investimento que se beneficiam do apoio de bancos centrais, disse Patrick Esteruelas, chefe de pesquisa da Emso Asset Management em Nova York.

"As emissões de alto rendimento realmente só começaram a ganhar força nas últimas duas semanas", disse ele. Desde que os mercados se estabilizem, "eu esperaria ver outros emergentes de alto rendimento também seguindo o exemplo".

A emissão de títulos com classificação junk pode chegar a US$ 50 bilhões até o final do ano, se o sentimento de risco melhorar à medida que a necessidade de financiamento empurra os governos para os mercados internacionais, segundo o Goldman Sachs.

Os spreads de crédito atraentes dos ativos de alto rendimento também ajudarão a manter o interesse dos investidores que estão voltando a investir em títulos mais arriscados e com maior retorno, disse Morgan Harting, gestora sênior da AllianceBernstein em Nova York.

"É provável que você veja os investidores se concentrarem mais nos emergentes daqui para frente, e é bem provável que verá bons retornos dos títulos emergentes no próximo trimestre", disse. "Isso será bom para os investidores e também significará que a emissão será importante, porque veremos uma boa demanda por novos títulos."

©2020 Bloomberg L.P.