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Assessores de Trump miram indexação do dólar de Hong Kong

Nick Wadhams, Jenny Leonard, Jennifer Jacobs e Saleha Mohsin

08/07/2020 07h51

(Bloomberg) -- Alguns dos principais assessores do presidente Donald Trump querem que os EUA enfraqueçam a indexação do dólar de Hong Kong à moeda americana. A medida seria uma das opções para punir a China por suas recentes medidas para aumentar o controle sobre a ex-colônia britânica, segundo pessoas a par do assunto.

A ideia de atingir a indexação do dólar de Hong Kong - talvez limitando a capacidade de bancos de Hong Kong de comprar dólar americano - foi sugerida como parte das discussões entre assessores do secretário de Estado dos EUA, Michael Pompeo, e não foi levada aos altos escalões da Casa Branca, o que indica que ainda não ganhou força, segundo pessoas que falaram sobre o assunto sob condição de anonimato.

A proposta enfrenta forte oposição de outros membros do governo, segundo os quais tal medida poderia prejudicar apenas bancos de Hong Kong e os EUA, e não a China, disseram. Outra pessoa alertou que a ideia de atingir a indexação ao dólar dos EUA está entre últimas opções possíveis em discussão. Essas ideias incluem o cancelamento de um tratado de extradição EUA-Hong Kong e o término da cooperação com a polícia de Hong Kong, disse a pessoa.

O Departamento de Estado dos EUA não quis comentar quando perguntado sobre o assunto na terça-feira, assim como o Departamento do Tesouro. O secretário financeiro de Hong Kong, Paul Chan, encaminhou as perguntas à Autoridade Monetária de Hong Kong, que disse que não tinha nada a acrescentar além das declarações anteriores sobre o assunto. O Banco Popular da China em Pequim também não respondeu imediatamente às perguntas.

No mês passado, Chan disse que o banco central da China poderia fornecer dólares americanos caso os EUA impusessem sanções ao território. A indexação ao dólar é sustentada por cerca de US$ 440 bilhões em reservas internacionais, o que representa mais de duas vezes o dinheiro da cidade em circulação, disse Chan à China Central Television. Eddie Yue, presidente da Autoridade Monetária de Hong Kong, disse no mês passado que qualquer medida para negar o acesso de Hong Kong ao sistema de compensação em dólares dos EUA seria um cenário "apocalíptico" que "também enviaria ondas de choque aos mercados financeiros globais, incluindo os EUA".

A proposta é uma "arma nuclear" e corre o risco de uma dissociação completa entre China e EUA se implementada, disse Xia Le, economista-chefe para Ásia no BBVA Hong Kong. "É tecnicamente difícil de impor e vai afetar muito os EUA".

Hong Kong tem sua moeda atrelada ao dólar americano desde 1983, permitindo que oscile em um intervalo bastante rígido que geralmente gira em torno de 7,8 por dólar americano. A moeda permaneceu forte devido à sua vantagem de rendimento sobre o dólar dos EUA, demanda por ofertas de ações de empresas chinesas e fluxos persistentes para o mercado acionário local.

A possibilidade de desaparecimento da indexação do dólar de Hong Kong se tornou foco das principais estratégias financeiras, incluindo a do fundador da Hayman Capital Management, Kyle Bass, que iniciou um fundo no mês passado apostando no colapso da indexação da moeda de Hong Kong, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

©2020 Bloomberg L.P.