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Sem consenso, Euronext descarta horário de negociação mais curto

Viren Vaghela

30/07/2020 08h53

(Bloomberg) -- A operadora da Bolsa de Valores de Paris não planeja encurtar o horário de negociação depois que uma consulta mostrou pontos de vista contraditórios, de acordo com o CEO Stephane Boujnah.

A Euronext entrevistou mais de 100 investidores. Em geral, grandes gestoras de ativos e bancos são a favor da mudança, enquanto firmas de trading proprietário e investidores de varejo se mostraram contrários, disse Boujnah em entrevista por telefone na quarta-feira, depois da divulgação do balanço do segundo trimestre.

No começo do mês, bolsas europeias disseram que não viam razão para mudanças em meio à pandemia. É uma má notícia para ativistas, segundo os quais um horário mais curto aumentaria a diversidade e bem-estar em todo o setor de negociação de ações, atualmente dominado por homens.

Boujnah disse que a jornada mais curta não é uma "solução que serve para todos". A Euronext registrou receita de 210,7 milhões de euros (US$ 248 milhões) no segundo trimestre, um aumento de 33% em relação ao ano anterior.

"Questões de diversidade não são simplesmente consequência de um longo dia de negociação", afirmou. "Como não há consenso e porque não queremos criar fragmentação do mercado, não consideramos que exista um argumento suficientemente forte para reduzir o horário de negociação."

A sessão em Londres começa às 8h e termina às 16h30, e o horário varia em outras bolsas europeias. Os horários das bolsas da Euronext coincidem com a sessão de Londres, entre 9h e 17h na hora local.

Horário mais longo

A Optiver, empresa de trading proprietário de Amsterdã, disse na quinta-feira que é contra o horário mais curto e até faz lobby para estender as negociações. O objetivo seria tornar os mercados europeus mais competitivos e aproveitar o rápido crescimento da Ásia. A empresa propõe que as bolsas do bloco de 27 países abram mais cedo e fechem mais tarde com pausa para o almoço, quando as negociações seriam interrompidas, em linha com países como Cingapura.

"A redução do horário do mercado europeu exacerbaria a queda da competitividade e relevância dos mercados de capitais da UE em um período em que a região não pode arcar com isso", disse Edward Monrad, chefe de estrutura de mercado de renda variável europeu na Optiver Europe. "Agora é a hora de adotar uma visão de longo prazo e prolongar a negociação europeia para coincidir com horário comercial asiático."

Na entrevista à Bloomberg Television na quinta-feira, Boujnah disse que ter mais mulheres em nível sênior estimularia o crescimento das empresas e disse que planeja criar mais flexibilidade para que as pessoas trabalhem em casa, embora seja a favor do trabalho na empresa.

Ele indicou que a questão deveria ser tratada no nível das empresas, e não dos horários de negociação.

"Durante anos, empresas investiram em academias", disse. "Talvez agora queiram investir em creches para abordar a diversidade."

©2020 Bloomberg L.P.