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Despesas de escolas dos EUA na pandemia podem somar bilhões

Michelle Kaske

07/08/2020 11h31

(Bloomberg) -- Escolas públicas nos Estados Unidos têm estocado máscaras, álcool gel e divisórias de acrílico, em despesas que podem passar de US$ 100 bilhões para proteger crianças em aulas presenciais no outono ou ajudá-las no aprendizado em casa.

O Distrito Escolar Independente de Dallas, que planeja retomar as aulas em 8 de setembro, já gastou US$ 20 milhões com esses itens e equipamentos de proteção e estima custo de US$ 50 milhões para instalar Internet para todos os alunos para que possam se conectar de casa.

Considerando custos com insalubridade, a despesa para a proteção total contra a pandemia pode ultrapassar US$ 200 milhões. Michael Hinojosa, superintendente do quinto maior distrito urbano, diz que é especialmente desafiador por causa dos conselhos conflitantes de políticos e especialistas em saúde.

"Lidamos com os dois bens mais valiosos das pessoas: dinheiro e filhos", disse Hinojosa. "E eles esperam que tenhamos respostas. Mas quando continuamos recebendo mensagens confusas e informações diferentes, temos que tomar decisões diferentes."

O custo para o distrito americano médio será de cerca de US$ 1,77 milhão em novas despesas com desinfecção, equipamento de limpeza e aumento da equipe para poder reabrir escolas com aulas presenciais, de acordo com a Association of School Business Officials International e School Superintendents Association.

A despesa extra atinge cerca de US$ 490 por aluno. Mesmo se muitos sistemas, como Chicago e Los Angeles, optarem por aulas remotas, os custos serão enormes, considerando que os EUA possuem mais de 50 milhões de crianças em escolas públicas. A Federação Americana de Professores estima que a abertura segura durante a pandemia pode custar aos distritos mais US$ 116,5 bilhões.

Para ajudar a cobrir despesas relacionadas ao vírus, o Congresso dos EUA destinou US$ 13,2 bilhões para escolas do ensino primário e secundário. Mas os distritos precisarão de mais, já que os estados enfrentam receitas em queda devido a paralisações generalizadas. A arrecadação de impostos sobre vendas estaduais e municipais caiu 12% no segundo trimestre, a queda mais forte desde 1958, de acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Também há o custo de não abrir as escolas. Pais solteiros, pessoas que não podem trabalhar em casa e pais com filhos pequenos podem representar cerca de 24 milhões de trabalhadores, ou 15% da força de trabalho, escreveram economistas do Goldman Sachs em relatório de 2 de agosto. As paralisações do setor de educação representaram queda de 2,2 pontos percentuais no crescimento anualizado do PIB real no segundo trimestre.

"Esta é uma emergência nacional", disse David Lewis, diretor executivo da Association of School Business Officials. "Mantemos a economia funcionando, mas temos que controlar o vírus, depois começar a olhar as escolas e depois começar a olhar as empresas. Sem essas três coisas nessa ordem, vamos continuar parando, começando e fazendo tudo de novo."

©2020 Bloomberg L.P.