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Maioria dos brasileiros pensa que bancos não entendem seus clientes

Manu Fernandez/AP
Apesar da dificuldade com os bancos, confiança em uma instituição não tradicional para ter acesso a produtos financeiros é baixa Imagem: Manu Fernandez/AP

Em Miami (EUA)

19/02/2015 00h21

Mais da metade dos brasileiros sentem que seu banco não os entende e cerca de oito em cada dez estão dispostos a confiar em uma instituição não tradicional - como PayPal, Google e Apple - para ter acesso a produtos financeiros, diz um estudo divulgado nesta quarta-feira (18).

A companhia tecnológica Cisco divulgou em uma reunião em Miami os resultados de um novo estudo global feito através de pesquisas de opinião com mais de 7,2 mil clientes de bancos em 12 países, entre eles o Brasil, para mostrar as soluções que a Internet de Todas as Coisas (IoE, Internet of Everything) pode oferecer para que as entidades consigam recuperar a confiança de seus clientes.

O estudo, que tem margem de erro de 5%, para mais ou para menos, revela a existência de uma "diferença de valor" entre as expectativas dos consumidores digitais e o que os bancos oferecem atualmente.

No caso do Brasil, 52% dos clientes acredita que seu banco principal não os entende, em comparação com 43% em nível mundial. Além disso, 27% disse que é provável que não abra sua próxima conta ou pacote de serviços em seu banco principal e sim em outro, em comparação com 24% em nível mundial.

O estudo também indica que 56% dos entrevistados preferem conduzir suas finanças por si mesmos, sem a ajuda de um profissional ou de um banco. Dos que trabalham com um assessor, 26% consideram que o conselho do banco é ineficiente.

A pesquisa acrescenta que 84% dos entrevistados estão dispostos a confiar em uma instituição financeira não tradicional para ter seus produtos bancários, em comparação com 80% em nível mundial, e o PayPal lidera a lista das entidades não bancárias de confiança, seguido por Google e Apple.

Os clientes brasileiros escolheriam bancos com ofertas habilitadas através da Internet de Todas as Coisas porque consideram que proporcionam alta qualidade, uma assessoria conveniente e mobilidade.

Cerca de 93% "movimentaria dinheiro" através de um ou mais dos principais serviços analisados, como assistência virtual de hipoteca, assessoria financeira virtual e pagamentos através de dispositivos móveis, em comparação com 61% na média nos países desenvolvidos.

O estudo analisa também a vantagem competitiva que um banco adquire ao promover inovações em matéria de segurança, já que 42% dos entrevistados no Brasil se preocupam com a segurança dos sistemas de digitais, em comparação com 36% em nível mundial.

A pesquisa mostra que 60% dos brasileiros estão dispostos a usar, ou usar com mais frequências, os bancos através da internet porque confiam em sua segurança, comparado a 56% em nível mundial.

Quase metade (47%) dos entrevistados estão dispostos a usar aplicativos de bancos para smartphones e tablets porque confiam em sua segurança, em comparação com 41% em nível mundial.

Cerca de 88% dos brasileiros se mostraram interessados no uso do reconhecimento biométrico para verificar sua identidade e autorizar transações financeiras, em comparação com 80% na média mundial.

De acordo com o estudo Internet of Everything Value Index, a Internet de Todas as Coisas pode gerar US$ 1,3 bilhão para a indústria de serviços financeiros nos próximos dez anos.

No setor de serviços financeiros, especificamente, 39,5% desse valor não será alcançado. No entanto, os bancos podem começar a capitalizar seus lucros através da implementação de tecnologias compatíveis com a IoE para conectar pessoas, processos, dados e coisas, afirmou a Cisco.

Paul Jameson, diretor-geral de Indústrias Globais da Cisco, acredita que a IoE está mudando "rapidamente as expectativas dos consumidores de hoje, e os bancos não estão imunes a isso".

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