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Acordo com UE estará em agenda de visita do chanceler brasileiro à Argentina

Brasília, 13 jan (EFE).- A negociação do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) será uma das prioridades na agenda dos encontros que o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, terá na visita de amanhã e sexta-feira à Argentina, informaram nesta quarta-feira fontes oficiais.

O subsecretário-geral da Chancelaria brasileira para a América do Sul, Paulo Estivallet de Mesquita, disse em entrevista coletiva que as negociações com a UE são "uma das prioridades na nova agenda entre ambos países".

De acordo com o diplomata, nos três encontros que a presidente Dilma Rousseff teve até agora com o novo chefe de Estado da Argentina, Mauricio Macri, ficou claro que a assinatura de novos acordos comerciais é prioridade de ambos países e do Mercosul, o bloco que ambos países integram junto ao Paraguai, Uruguai e Venezuela.

"Já é uma prioridade (o acordo com UE) há bastante tempo, mas também é uma prioridade uma agenda mais ampla de negociações extra-regionais, com outros países da Ásia, América do Norte e até outros europeus fora da UE", afirmou.

Segundo Estivallet de Mesquita, "o novo governo argentino deu sinais de que tem o desejo de utilizar a abertura comercial como eixo central de sua estratégia de retomada econômica".

O diplomata acrescentou que o assunto será abordado na reunião que Vieira terá com a nova chanceler argentina, Susana Malcorra, e com outras autoridades do país vizinho na sua primeira visita oficial a Buenos Aires desde a posse de Macri.

As negociações entre o Mercosul e a UE se remontam à década de 1990, mas ficaram estagnadas por muitos anos e foram reatadas em 2010, embora avançaram lentamente.

O Mercosul diz que tem pronta sua proposta e que espera intercambiar ofertas com a UE no primeiro trimestre deste ano.

A troca de ofertas estava prevista para finais de 2015, mas a UE disse esperar uma proposta mais ambiciosa, o que, para o governo brasileiro, foi apenas uma estratégia de negociação.

"A demanda extemporânea para que o Mercosul aumente sua oferta foi uma tática negociadora (da UE) que já é muito conhecida. O Mercosul fez sua parte e está pronto para uma troca de ofertas inicial, que é primeiro passo para uma negociação", afirmou.

Segundo o porta-voz, "não corresponde nem ao Brasil e nem ao Mercosul fazer gestos unilaterais adicionais quando não está claro o que a União Europeia vai oferecer. Quem está atrasando as negociações neste momento é a UE".

O diplomata acrescentou que o novo governo argentino, assim como o Mercosul, deixou clara sua disposição e compromisso com as negociações, mas falta a UE demonstrar sua disposição.

Estivallet de Mesquita acrescentou que o governo de Macri deu um "sinal claro" de abertura comercial ao eliminar no final do ano passado a exigência da Declaração Jurada Antecipada de Importação (DJAI) com a qual Argentina restringia a entrada de produtos a esse país.

O diplomata acrescentou que o novo governo argentino deu sinais concretos de que revisará outras medidas que dificultam o comércio entre ambos países.

"A relação comercial, apesar importante, sofreu um pouco nos últimos anos, em parte pela conjuntura econômica, pelo panorama recessivo, mas também porque houve alguns obstáculos de ordem administrativa ao comércio", disse.

O diplomata acrescentou que o governo brasileiro "está feliz" com as demonstrações da Argentina que pretende realçar o caráter estratégico da relação bilateral, entre as quais sua disposição a revisar as diferentes restrições comerciais.

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