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Jornalistas independentes ganham força no Vietnã

Eric San Juan.

Ho Chi Minh (Vietnã), 15 fev (EFE).- Quase dois anos após sua constituição, a Associação Vietnamita de Jornalistas Independentes mantém seu desafio ao monopólio estatal da informação através do primeiro jornal digital que não é controlado pelo Partido Comunista.

Com mais de 130 membros e uma média de 70 mil leitores diários, os fundadores do grupo e do jornal digital "Vietnam Thoi Bao" estão satisfeitos com a evolução e acreditam que ganharam força suficiente para promover o avanço rumo a uma democracia.

"Dobramos o número de visitas e de membros. Mas devemos melhorar porque muitos de nossos integrantes não têm experiência e formação como jornalistas", disse Pham Chi Dung, presidente da associação e diretor associado do jornal digital.

Em sua reunião anual em uma cafeteria de Ho Chi Minh (antiga Saigon), cerca de 30 membros do grupo debatem os progressos, projetos e a situação geral do país.

O encontro aconteceu às vésperas do ano novo lunar, a festividade mais importante do Vietnã, por isso não temiam uma intervenção da polícia e puderam se expressar com liberdade por mais de quatro horas.

"Algumas vezes costumamos ver policiais à paisana nos arredores, mas não havia ninguém", comentou um deles.

O grupo é bastante heterogêneo e mistura velhos comunistas desencantados, ativistas que há décadas lutam pela democracia, blogueiros e até um monge budista descontente com a falta de liberdade religiosa.

Quase todos participaram da reunião após suportar vários dias de prisão domiciliar, confinados pelas autoridades para impedir qualquer interferência durante o Congresso do Partido Comunista, que terminou em 28 de janeiro com a reeleição do conservador Nguyen Phu Trong como secretário-geral, o posto de maior poder executivo do país.

A vitória de Trong, mais reticente às reformas e à abertura, foi um dos assuntos centrais do encontro.

"Temos que encontrar sempre a maneira de tirar proveito da situação, mesmo que seja com Trong", comentou Bui Ninh Quoc, vice-presidente da associação.

Poeta e jornalista, Quoc foi um entusiasta repórter a favor do lado comunista durante a guerra, mas terminou desiludido pela falta de liberdade e pela corrupção.

Seus textos e seu ativismo político lhe custaram quatro anos de detenção e várias prisões domiciliares, mas aos 74 anos não arreda pé de suas posições e olha para o futuro com otimismo.

"O governo do Vietnã recebe pressões de fora porque agora faz parte da economia global. A liberdade econômica pode trazer liberdade política", comentou.

Outro dos membros mais proeminentes, o médico Nguyen Dan Que, três vezes candidato ao Prêmio Nobel da Paz por seu ativismo pacifista, que também foi preso várias vezes, acredita que uma transição rumo à democracia é viável.

"O mais importante é que consigamos a abolição do artigo da Constituição que dá ao Partido Comunista a supremacia acima do povo. Devemos devolver à Assembleia Nacional seu papel de órgão de governo e ir em direção a uma democracia com mais de um partido", ponderou.

Apesar do otimismo dos mais velhos, os membros mais jovens, como o blogueiro Pham Ba Hai, ressaltaram as dificuldades e a constante repressão do governo de Hanói.

Hai lembrou a frustrada tentativa de criar uma emissora de televisão independente em setembro, que terminou com a prisão de seus seis fundadores.

Apesar das pressões internacionais, o Vietnã está na 175ª colocação na lista de 180 países elaborada pela ONG Repórteres Sem Fronteiras sobre liberdade de expressão.

Segundo a Anistia Internacional, o Vietnã mantém 60 prisioneiros de consciência, entre eles blogueiros dissidentes.

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