Snowden trabalha em acesssório para iPhone que detecta sinais de espionagem

Nova York, 22 jul (EFE).- O ex-analista da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) Edward Snowden está desenvolvendo um acessório para iPhones especialmente pensado para jornalistas, que visa detectar transmissões de rádio não desejadas, um indício de que os celulares podem estar sendo alvos de espionagem governamental, informou nesta sexta-feira a imprensa americana.

Snowden revelou o acessório, uma espécie de capa para os celulares da Apple, em uma videoconferência desde a Rússia durante o evento "Forbidden Research", do Massachussetts Institute of Technology (MIT), em Boston. O ex-analista está exilado desde que divulgou documentos da NSA que mostravam a espionagem praticada pelos EUA em vários países do mundo.

O acessório está sendo desenvolvido em parceria com o hacker e ex-aluno do MIT Andrew Huang. O objetivo do case é alertar os jornalistas sobre lugares sensíveis em que eles podem ser espionados eletronicamente.

Snowden, membro do conselho da ONG Freedom of the Press Foundation, mostrou sua preocupação com o fato de que os telefones e outros dispositivos móveis estejam sendo usados para roubar informações de jornalistas e entregá-la aos governos, incluindo a própria localização dos repórteres.

Como exemplo do perigo de governos terem acesso à geolocalização dos jornalistas, Snowden citou a ação do governo sírio para matar, em 2012, a americana Marie Colvin, que trabalhava em Homs para o jornal britânico "The Sunday Times of London".

Huang, por sua vez, afirmou que o projeto ainda está em sua fase inicial, mas afirmou que confia que no futuro os jornalistas poderão proteger seus telefones para evitar a vigilância extrema.

Snowden lamentou na conferência o fato de cada vez ser mais difícil para os usuários confiar que as informações transmitidas a partir de seus telefones não serão interceptadas, inclusive quando usam os aparelhos em modo avião.

O ex-analista da NSA e da CIA chegou a Moscou em julho de 2013, procedente de Hong Kong, e recebeu em 2014 uma permissão de três anos para morar na Rússia. Há algumas semanas, ele pediu para viajar a Oslo, na Noruega, para receber um prêmio dado pelo Pen Clube sem o risco de ser extraditado aos EUA, mas a solicitação foi negada.

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