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Passear em um carro fúnebre: uma forma diferente de conhecer Algarve

Tânia Esteves.

Lisboa, 18 nov (EFE).- Explorar o Algarve, em Portugal, por meio de um passeio turístico a bordo de um carro fúnebre é possível graças a dois amigos que tiveram uma inusitada ideia e viram uma brincadeira se transformar em negócio de sucesso, com chances de expansão.

Em maio, Nelson Silva, de 32 anos, e José Gonçalves, de 29, compraram um carro fúnebre em Alentejo como uma piada entre amigos e decidiram usá-lo para oferecer a turistas e locais uma maneira diferente de conhecer a região. Batizado de "Ripper Tours", o veículo foi devidamente decorado e começou a rodar.

"No começo, não tínhamos essa intenção. Entramos em páginas da internet e decidimos comprar um carro fúnebre de brincadeira. Depois começamos a pensar o que faríamos com aquilo e surgiu a ideia, incentivada pelos nossos amigos", relembrou Nelson à Agência Efe.

O Algarve é umas das regiões mais procuradas de Portugal e uma das mais badaladas da Europa, com uma ampla oferta de grandes hotéis, espaços de lazer e passeios de barco. O negócio dos amigos difere do turismo tradicional e permite descobrir o lugar de uma forma nada comum, a bordo de um veículo que a maioria das pessoas não pensa em ocupar até o final de seus dias.

O carro acomoda seis pessoas e oferece passeios por toda a região, assim como comemorações especiais, "desde despedidas de solteiro ou de casado (após um divórcio) a aniversário e outros eventos", enumera Nelson.

"Estamos sempre abertos ao que o cliente pedir. O que fazemos mais são passeios noturnos, de uma hora de duração, mas também oferecemos outros tipos de trabalhos. Várias vezes nos ligam, vamos buscar a pessoa e onde ela pede para que levemos ela para algum lugar", explicou o jovem empresário, revelando que um dos passeios mais procurados é o que passa pela Oura, uma das praias mais famosas da Albufeira.

Tamanho é o ecletismo do "Ripper Tours" que Nelson afirma, em tom bem-humorado: "não somos um serviço de táxi, mas se a pessoa quiser, também podemos ser".

Para não gerar problemas, a dupla optou por retirar "todas as alusões religiosas" do carro e fazer algumas remodelações, incluído no caixão que veio junto. A caixa de madeira está agora dividida em duas: uma metade é um bar e a outra esconde o equipamento de som que anima o passeio.

Apesar de frequentemente eles terem que contar e recontar de onde tiraram a ideia de comprar um carro fúnebre por impulso, o negócio está indo a todo vapor e, para a surpresa dos dois amigos, a maioria dos clientes é de Portugal.

"As pessoas aqui acolheram muito bem. Pensávamos que trabalharíamos mais com estrangeiros, mas estamos recebendo muitos portugueses. Sem dúvida eles correspondem por, aproximadamente, 70% da nossa clientela", admitiu Nelson, que disse ele e seu amigo sabem que também existem pessoas que não veem graça alguma de um carro fúnebre ser usado para passeio e turismo.

O veículo opera, principalmente, em Albufeira e Vilamoura, mas está apto a andar e prestar serviços em todo Algarve, e a demanda é tanta que os amigos já pensam em aumentar a frota.

"Estamos pensando em comprar outro carro fúnebre e também estamos tentando patentear para conseguirmos ser os únicos a oferecer estes passeios. Já somos, mas queremos nos manter assim", disse Nelson. EFE

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