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Grécia e seus credores retomam negociações em meio a divergências

Atenas, 13 dez (EFE).- A Grécia retomou nesta terça-feira as negociações com seus credores sobre a revisão do programa associado ao resgate, com posições muito divergentes em relação às necessidades financeiras do país a partir de 2018 e à reforma laboral, e em meio a uma crescente especulação sobre eleições antecipadas.

As necessidades financeiras da Grécia em 2018 se transformaram no principal empecilho para que um acordo entre as duas partes aconteça antes do final de janeiro.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) exige que, para atingir a meta de superávit primário para 2018 e os anos posteriores de 3,5% do PIB, é necessário tomar novas medidas de austeridade por um valor total de 4,5 bilhões de euros.

Tais medidas incluem novos cortes na previdência e a redução da base isenta de impostos para entre 5 mil e 5,5 mil euros anuais, já que o FMI considera os atuais 8.636 euros fixados por lei um limite muito generoso, pois permite que metade dos contribuintes não paguem impostos.

O FMI pede, além disso, o aumento da taxa de IVA reduzida de 13% para 14%, o que somaria às receitas do Estado 500 milhões de euros ao ano.

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, destacou ontem que novas medidas de austeridade não são compatíveis com a estabilização econômica e com a retomada de crescimento do país.

Em reunião com seu partido, Tsipras pediu, por outro lado, que o FMI acate sua sugestão de reduzir a 1,5% a meta para o superávit primário para os anos posteriores ao programa de resgate, que termina no final de 2018.

Na véspera da retomada das negociações, o responsável do FMI para a Europa, Poul Thomsen, e o economista-chefe, Maurice Obstfeld, publicaram um artigo na página da organização no qual asseguram que a meta de 3,5% para o superávit primário é algo que a Grécia firmou com os credores europeus, e não ideia do FMI.

"Se a Grécia assume com seus sócios europeus objetivos fiscais ambiciosos, não deve criticar o FMI por insistir na austeridade quando pedimos as medidas necessárias para que estes objetivos sejam alcançáveis", diz o artigo.

Thomsen e Obsfeld ressaltaram, além disso, que são necessárias uma reforma tributária e outra na previdência, pois "metade das famílias estão isentas de todos os impostos (enquanto 8% dos contribuintes têm isenção zona do euro)" e "o extremamente generoso sistema de pensões custa ao orçamento 11% do PIB (2,25% na zona do euro)".

O ministro das Finanças grego, Euclides Tsakalotos, reagiu com contundência a estas afirmações.

"Quando 45% dos aposentados têm renda mensal abaixo dos 665 euros, que constituem o piso da pobreza, ou seja, quase quatro milhões de pessoas, e um terço da população está em risco de pobreza e de exclusão social, como é possível que o problema da Grécia seja pensões e isenções fiscais generosas demais?", ressaltou Tsakalotos.

O ministro acrescentou que "a única razão pela qual mais gente está isenta de pagar impostos é que menos pessoas têm renda digna".

"O FMI, que se dispõe a avaliar a relação entre crescimento e desigualdade - e com razão exige o crescimento sem exclusões -, parece ignorar que a redução das pensões e da isenção fiscal só aumentarão a desigualdade e a exclusão social", afirmou Tsakalotos.

Na próxima sexta-feira, Tsipras viajará a Berlim, onde se reunirá com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o vice-chanceler, Sigmar Gabriel.

O governo vem advirtindo nas últimas semanas que se a situação com os credores não se resolver, a já desestabilizada Europa corre o risco de ser tomada pelos movimentos populistas.

A imprensa grega e internacional apontam que se Tsipras não conseguir conduzir as negociações, deverá convocar novas eleições antes de aprovar medidas adicionais de corte, o que diminuiria ainda mas sua popularidade.

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