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EUA dificultam negociações sobre comércio na reunião do G20

Arantxa Iñiguez.

Baden-Baden (Alemanha), 18 mar (EFE).- Os Estados Unidos dificultaram as negociações sobre o comércio mundial na reunião dos países do G20, as quais se encontram agora paralisadas, apesar de considerarem o encontro "incrivelmente produtivo" e esperarem "trabalhar de forma mais estreita no futuro".

A reunião de ministros de Finanças e governadores de bancos centrais do G20 na cidade alemã de Baden-Baden, sob a presidência da Alemanha, terminou neste sábado com o compromisso de "fortalecer a contribuição do comércio para as economias", assim como o de não manipular as taxas de câmbio das divisas para obter vantagens competitivas neste âmbito.

Ao contrário de outras reuniões do G20, cujos países representam 80% do comércio mundial, desta vez o protecionismo econômico não foi condenado.

O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, disse que é necessário corrigir os desequilíbrios globais no comércio, após ser perguntado sobre o superávit comercial da Alemanha.

Apesar de tudo, Mnuchin qualificou a reunião de "incrivelmente produtiva" e disse sai dela com confiança.

O secretário também afirmou que "os EUA acreditam no comércio; no comércio livre, justo e equilibrado".

"Queremos uma situação de ganhar e ganhar, na qual o que é bom para nós é bom para os outros", acrescentou Mnuchin.

Por sua vez, o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, reconheceu que as negociações foram muito difíceis e que em certo sentido estão congeladas, mas considerou que as portas estão abertas para conversas futuras.

Schäuble, anfitrião do encontro, indicou que para o comunicado final havia certas formulações que, embora não sejam muito concretas, mostram o compromisso comum com um comércio justo, como pedem os EUA.

"Chegamos a formulações com as quais não avançamos muito, mas que mostram nosso compromisso com um comércio justo e com a manipulação das taxas de câmbio", explicou Schäuble.

O presidente do Bundesbank (banco central da Alemanha), Jens Weidmann, considerou que "há compromisso com os mercados abertos, mas não há consenso sobre o desenvolvimento que as relações comerciais devem ter".

Os países do G20 - órgão informal que se reuniu pela primeira vez em 1999 - se comprometem a trabalhar "para fortalecer a contribuição do comércio com nossas economias", assim como para "reduzir a desigualdade" na busca por crescimento econômico.

No comunicado que resume as conclusões das negociações em Baden-Baden, o G20 mantém os compromissos adquiridos até agora a respeito das taxas de câmbio para se abster de realizar desvalorizações a fim de impulsionar a competitividade.

As taxas de câmbio das divisas também não serão geridas com fins competitivos.

Os membros do G20 também se comprometem a "calibrar cuidadosamente e comunicar claramente nossas ações de política macroeconômica e estruturais para reduzir a incerteza política, minimizar contágios negativos e promover a transparência".

"Estamos trabalhando para fortalecer a contribuição do comércio a nossas economias. Nos esforçaremos para reduzir os desequilíbrios globais excessivos, promover uma inclusão e justiça maior e reduzir a desigualdade em nossa busca pelo crescimento econômico", acrescenta a nota.

Os membros do grupo também querem aprofundar e ampliar a cooperação econômica e financeira internacional com países africanos.

Reiteram seu compromisso de apoiar a implementação e finalização dos acordos sobre a reforma do setor financeiro e não aumentar as exigências de capital aos bancos para cobrir posições de risco.

O G20 se tornou um fórum para a cooperação econômica e financeira multilateral após a crise financeira de 2008 e 2009, mas agora parece que o novo governo americano dá prioridade aos acordos bilaterais.

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