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Instituto Elcano aposta em visão menos "estereotipada" sobre Brasil e Espanha

São Paulo, 24 abr (EFE).- O presidente do Real Instituto Elcano, Emilio Lamo de Espinosa, considerou nesta segunda-feira que há de ser feito um esforço para melhorar a imagem do Brasil na Espanha e promover um conhecimento entre ambos países "menos estereotipado".

"Se o que pretendemos é melhorar um conhecimento menos estereotipado, não me incomodaria melhorar a imagem da Espanha no Brasil, que já é boa, mas sim haveria de ser feito um pequeno esforço para melhorar a imagem do Brasil na Espanha", disse Espinosa no I Fórum Espanha-Brasil, realizado em São Paulo.

O presidente Instituto Elcano citou diversas pesquisas nas quais os espanhóis percebem o Brasil como um país "democrático" e, ao mesmo tempo, "corrupto", além de "uma potência emergente".

Por outro lado, os brasileiros veem a Espanha como uma nação "tradicional", em relação ao fator religioso, e que "inspira confiança", além de ser "democrática, honesta, forte, pacífica, solidária, rica e tolerante", citou Espinosa.

Em relação a terceiros, Brasil e Espanha compartilham "imagens bastante parecidas", pois ambos são países considerados como "quentes" ao serem vistos como "divertidos" e "entretidos".

"Somos identificados com o futebol, a festa - Carnaval e São Firmino - e pelas férias. São imagens estereotipadas, que são boas para alguns setores como o turismo, mas ruins para outras, pois sobre os países frios se diz que são rigorosos e eficientes", acrescentou.

Por outro lado, para Espinosa é bom que as "imagens mútuas" entre os países sejam "assimétricas", pois a presença da Espanha no Brasil é maior do que a do Brasil na Espanha em certos aspectos, como o empresarial.

"Deveria haver uma maior presença do Brasil na Espanha", reiterou.

Além disso, a visão do Brasil sobre a Espanha "é mais renovada" se comparada com a de outros países da América Latina, porque "não está sobrecarregada por esse passado colonial", fator que, no entanto, provocou ao longo da história um menor conhecimento sobre o Brasil na Espanha.

O Real Instituto Elcano, criado em 2001, se define como uma fundação privada de estudos internacionais e estratégicos, realizados a partir de uma perspectiva espanhola, europeia e global com objetivo de "promover na sociedade o conhecimento da realidade internacional" e "servir de foco de pensamento e geração de ideias".

No mesmo debate, o ex-chanceler brasileiro Celso Lafer apontou que se deve olhar com mais atenção "a perspectiva da cultura, por ser um tema de sensibilidade" e que "favorece esta atmosfera de entendimento" entre Brasil e Espanha.

O fundador da marca de roupas Osklen, Oskar Metsavaht, concordou com o argumento de Lafer e lembrou que o Brasil conta "com dez milhões de descendentes de espanhóis, que entendem esses laços", e por isso deve ser ponderado "mais o aspeto cultural".

O I Fórum Espanha-Brasil acontece nesta segunda-feira em São Paulo e dele participam representantes de governos, empresas e sociedade civil de ambos os países com o objetivo de desenvolver as relações bilaterais e reforçar sua visão de parceiros estratégicos.

O evento será encerrado pelo presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, que faz visita oficial de dois dias ao Brasil e, de manhã, foi recebido em Brasília pelo presidente Michel Temer.

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