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Imprensa dos EUA quer negociar coletivamente com Google e Facebook

Nova York, 10 jul (EFE).- A News Media Alliance, uma associação que representa cerca de 2 mil veículos de imprensa dos Estados Unidos e do Canadá, pediu nesta segunda-feira ao Congresso que permita uma negociação coletiva entre eles e a dupla formada por Google e Facebook sobre a distribuição de notícias pela internet, uma possibilidade não autorizada pela lei antimonopólio.

"Uma legislação que permita as organizações jornalísticas negociar coletivamente abordará os problemas generalizados que estão diminuindo a saúde e a qualidade conjunta da indústria da mídia", disse o presidente da News Media Alliance, David Chavern.

Segundo a organização, Google e Facebook dominam o tráfego de notícias digitais e absorvem o grosso do dinheiro investido em publicidade, formando um "duopólio" que obriga as editoras a entregar seu conteúdo seguindo as regras por eles determinadas.

"As leis 'antitruste' (contra monopólios) pretendem abordar os danos infligidos por companhias dominantes. Mas, quando se trata da imprensa, as leis existentes impedem que trabalhemos lado a lado para negociar melhores acordos em defesa do jornalismo", indica um documento divulgado hoje pela News Media Alliance.

A associação considera que seus membros, entre eles "The Wall Street Journal", "The New York Times" e "The Washington Post", são "limitados" e têm um poder de negociação fragmentado contra um duopólio que recebe quase todo o dinheiro de publicidade.

Ontem, Chavern escreveu uma coluna no "Journal" criticando a legislação antitruste e dizia que a única forma de a imprensa enfrentar a "inexorável ameaça" era se reunir em uma frente única para negociar com Google e Facebook.

"É essencial defender uma proteção mais forte da propriedade intelectual, por um melhor apoio aos modelos de assinatura e por uma cota justa de investimentos e dados para garantir a sustentabilidade da indústria jornalística", afirmou Chavern no texto.

As empresas de mídia estão em uma conjuntura complicada, entre os ataques à imprensa realizados pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e a publicidade on-line destinada às duas empresas de tecnologia criticadas pela News Media Alliance.

Segundo o site "Marketwatch", Google e Facebook somam mais de 70% dos US$ 73 bilhões investidos anualmente em publicidade digital, além de 80% do tráfego na internet.

Para a News Media Alliance, os sistemas de distribuição do "duopólio" estão distorcendo o "fluxo de valor econômico que deriva do bom jornalismo". E também crítica a existência de notícias falsas na rede.

"Para garantir que o jornalismo de qualidade tenha um futuro, as organizações de mídia que o fazem devem ser capazes de negociar coletivamente com as plataformas digitais que controlam efetivamente a distribuição e o acesso às audiências na era digital", concluiu Chavern.

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