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Kuczynski sofre revés econômico em 1º ano de governo no Peru

David Blanco Bonilla.

Lima, 27 jul (EFE).- Apesar de ser formado por uma equipe de tecnocratas e economistas renomados, o governo de Pedro Pablo Kuczynski sofreu um sério revés econômico em seu primeiro ano de gestão no Peru, afetado pelo escândalo Odebrecht, o golpe do fenômeno climático Niño costero e outros fatores externos.

Ainda que as projeções para o crescimento da economia do país para 2017 sejam de 2,8%, uma das mais altas da região, esse percentual está muito abaixo da média dos últimos anos, que foi de 6%, e do histórico 9,1% obtido em 2008, durante o segundo governo de Alan García (2006-2011).

Foi justamente durante o primeiro ano de gestão de Kuczynski e do primeiro-ministro, Fernando Zavala - ambos economistas - que as cifras se complicaram, afetadas também pela diminuição dos gastos em infra-estrutura e o limitado crescimento dos investimentos.

O revés foi sofrido por um governo formado por técnicos, que oferecia um controle firme e forte das contas públicas, mas que teve que lidar com um Congresso nas mãos da oposição fujimorista, que inclusive levou Alfredo Thorne a renunciar ao posto de ministro da Economia, que acabou ficando com Zavala.

No entanto, o maior impacto veio de onde não se esperava: a revelação de um escândalo de corrupção envolvendo a Odebrecht e a fúria descontrolada da natureza.

O caso Odebrecht gerou uma crise de desconfiança generalizada, depois que a empresa reconheceu à Justiça dos Estados Unidos que pagou US$ 29 milhões em propinas a funcionários públicos peruanos entre 2004 e 2015. Esse periodo compreende os mandatos presidenciais de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

Nas últimas semanas, as investigações levaram à prisão preventiva de Humala e sua esposa, Nadine Heredia, e a uma ordem similar para ser cumprida por Toledo e sua esposa, Elianne Karp, além de uma investigação preliminar sobre a suposta participação de García.

O escândalo também reduziu os investimentos, tanto pela cautela das empresas com atuação no país como pela supervisão drástica de contratos de concessão de obras e outros projetos públicos por parte da Controladoria Geral, do Ministério Público e do próprio Congresso.

O governo também manifestou a vontade de a Odebrecht não voltar a trabalhar no país, uma posição que deixa em interrogação o futuro de seus sócios locais, como a construtora Graña y Montero, a maior do Peru.

A situação econômica se agravou pelo embate do fenômeno climático Niño Costero, que entre dezembro e março causou graves danos a infra-estruturas e deixou milhares de pessoas afetadas nos litorais norte e central do país.

Ao antecipar o balanço de seu primeiro ano de gestão, Kuczynski fez na semana passada um mea culpa, afirmou que "pecou por otimismo" e reconheceu que sua maior decepção foi o baixo crescimento econômico.

O governante disseu que seu governo nunca pensou que o escândalo envolvendo a Odebrecht "chegaria com tanta força".

Kuczynski também declarou que as autoridades subestimaram o impacto dos graves danos causados pelo Niño Costero.

Ciente do cenário adverso, o governante enfatizou que a grande decepção foi, "obviamente, o crescimento econômico baixíssimo", mas reiterou que "1,5% da queda do PIB vem dos alagamentos e do escândalo de corrupção".

Para o presidente, no entanto, ainda que os 2,8% de crescimento neste ano estejam entre os números macroeconômicos mais altos da região, "o importante" para o país "é crescer forte para gerar trabalho e emprego", e ele acredita que o percentual de aumento do PIB será de "4% ou 5% nos próximos dois anos".

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