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Saturada, ilha grega de Santorini quer limitar o turismo

Atenas, 8 set (EFE).- Santorini é, por excelência, paradigma da beleza do mar Egeu. Com dois milhões de turistas por ano é, após Mikonos, o destino predileto na Grécia. Agora, esta pérola vulcânica lançou a voz de alarme e as autoridades querem colocar um limite às visitas anuais.

Engarrafamentos permanentes em estradas onde carros se misturam com motos, caminhões e até mulas e problemas no fornecimento de água potável e de eletricidade, bem como na gestão dos resíduos, são alguns dos sintomas da saturação com os quais esta ilha padece há anos.

Santorini não pôde fazer frente ao crescimento exponencial do número de habitantes permanentes - de 6,2 mil em 1971 até 25 mil atualmente - e à chegada de cerca de dois milhões de turistas anuais.

Aos problemas naturais que são derivados da overdose de turismo, como a alta de preços em geral e de aluguéis particulares, a população sofre com outras muitas dificuldades. Não há suficientes vagas nas escolas, faltam médicos e o novo hospital nem sequer pode satisfazer às necessidades dos moradores.

"Vivemos sob enorme pressão financeira. Tudo está muito mais caro que no resto do país", disse à Agência Efe Maria Papayanni, diretora de um pequeno hotel da ilha.

Papayanni relatou que paga 450 euros por mês para um apartamento sem calefação e que se sente "privilegiada" porque outros pagam "até 800 euros para alojamentos em pior condição".

Toda esta situação levou o prefeito da ilha, Anastasios Sorsos, a criar um programa paulatino para pôr um limite às chegadas diárias de cruzeiros, e a pedir ao Ministério do Turismo que declare Santorini turisticamente saturada e ao Ministério do Meio Ambiente que proíba construções fora das áreas urbanas.

Segundo um estudo da Universidade do Egeu, o espaço construído em Santorini alcançou 15% da superfície total, enquanto nas demais ilhas das Cíclades não chega a 1%.

O prefeito fez o primeiro pedido em 2015, e até o momento não recebeu resposta.

Em caso de uma resposta positiva, poderia limitar a capacidade hoteleira - segundo sua opinião as duas milhões anuais de visitas são o máximo suportável - e evitar que surjam novas empresas que oferecem serviços aos turistas.

"As nossas estradas não podem suportar mais tráfego. Além disso, o turismo fez com que o consumo de recursos naturais aumente além de seus limites", explicou Sorsos à Efe.

Mas, segundo sua opinião, nem tudo se resolve com fundos para novas infraestruturas, pois, como diz, ampliá-las aumenta o risco de a ilha perder sua beleza e encantamento.

Uma das primeiras medidas para melhorar a situação foi limitar o número de cruzeiros diários que podem atracar na ilha, uma iniciativa que já começou a funcionar a modo de programa-piloto e que estará plenamente em operação em 2019.

O objetivo é limitar a oito mil as chegadas diárias de turistas de cruzeiro - na temporada alta chegam a 18 mil.

O presidente da Associação de Hoteleiros de Santorini, Manolis Karamolengos, se mostra cético frente à possibilidade de declarar a ilha turisticamente saturada, ainda que reconheça que há claros problemas para resolver.

"Para isso é necessário um estudo detalhado. O problema não se limita às vagas turísticas. É também um problema de infraestruturas e de acabar com os aluguéis privados, sobretudo o das plataformas eletrônicas", declarou à Efe.

O denominado aluguel entre particulares é um fenômeno que está começando a causar problemas também na Grécia. Segundo Karamolengos, as plataformas eletrônicas de aluguel acrescentaram à ilha 15 mil vagas turísticas, apartamentos que eram utilizados por médicos, professores, e inclusive seus funcionários.

Outro problema, segundo ele, é a falta de pessoal nos serviços municipais, o que acaba derivando em detrimento de um turismo de qualidade.

"Santorini conseguiu sua notoriedade graças à qualidade dos serviços das empresas turísticas. O setor privado fez e segue fazendo seu trabalho. O Estado deve fazer o seu", finalizou.

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